Lula 4: Marcos Lisboa analisa cenário após eleição
Economista e ex-presidente do Insper analisa os próximos passos na área econômica do governo.
Após a reeleição de Lula em 26 de outubro, a Avenue registrou um aumento significativo na abertura de contas internacionais, com pedidos três a quatro vezes acima da média. Segundo Emmanuil Inglesis, CFO da Avenue, o aumento se deve à percepção de piora econômica no Brasil. O dólar subiu 8,21% frente ao real, a maior variação desde 1999. A vitória de Lula surpreendeu o mercado, que esperava Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o dólar caiu 4,12% após Flávio liderar, impulsionando captações na Avenue.
Na segunda-feira, 26, dia seguinte à reeleição do presidente Lula (PT), a Avenue registrou o maior número de pedidos de abertura de conta internacional deste ano. Desde o fim da eleição, a empresa tem observado uma quantidade de solicitações de três a quatro vezes maior do que a média diária.
Segundo Emmanuil Inglesis, Chief Financial Officer (CFO, diretor financeiro) da Avenue, corretora que oferece investimentos internacionais, o volume de captação de recursos também está três a quatro vezes maior do que a média diária da empresa. A explicação para esse movimento, aponta ele, tem a ver com uma percepção de piora do cenário econômico por parte dos clientes, depois da vitória de Lula.
“O que a gente tem ouvido dos clientes depois do segundo turno é que o cenário macroeconômico no Brasil piorou bastante e eles estão com medo do que pode acontecer futuramente”, diz Inglesis. “Esse comportamento a gente já observou em outras ocasiões parecidas, em que houve algum tipo de estresse macroeconômico ocasionado por política.”

Na segunda-feira, na esteira do resultado eleitoral, o dólar avançou 8,21% em relação ao real, cotado a R$ 5,4029. Foi a maior variação porcentual desde 13 de janeiro de 1999.
Atualmente, a Avenue tem cerca de 1 milhão de contas abertas.
Para boa parte do mercado financeiro, a vitória de Lula na eleição deste ano foi surpreendente. A grande aposta era que o senador Flávio Bolsonaro seria o vencedor da disputa do segundo turno. No mercado financeiro, o candidato do PL sempre foi visto como o mais propenso a avançar com um ajuste fiscal, embora publicamente tenha adotado um discurso de aumento de gastos.
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Depois do resultado do primeiro turno, a empresa também observou um aumento no número de pedidos de abertura de contas, mas, segundo Inglesis, o movimento foi explicado por um “senso de oportunidade”.
“No primeiro turno, a gente viu um movimento inverso. Foi um movimento em que o dólar respondeu caindo por causa do resultado do Flávio”, diz Inglesis. “Vimos muitos clientes mandando dinheiro para a Avenue para aproveitar que o dólar caiu. O volume foi oito vezes a nossa média diária.”
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro recebeu 2,2 milhões a mais de votos do que Lula. No dia seguinte, o dólar caiu 4,12%, a R$ 5,0018.
“Impulsionado por esses eventos do primeiro turno e do segundo, outubro vai ser o melhor mês da história da Avenue em termos de captação”, diz o executivo.



