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Mercado vê oferta de ações voltarem apenas após sinalização de ajuste

Executivos e gestores digerem os impactos da reeleição do presidente Lula na Bolsa

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O Ibovespa tombou 13,88% nesta segunda-feira Foto: Werther Santana/Estadão

A Faria Lima perdeu a expectativa de reabertura do mercado para ofertas de ações este ano, diante da forte reação negativa da Bolsa e de outros ativos brasileiros, como o juro e o câmbio, ao resultado das eleições presidenciais, com vitória do Lula. A visão é de que as ofertas só voltam se o presidente reeleito sinalizar um ajuste fiscal convincente para 2027.

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Por enquanto, executivos e gestores digerem o impacto da reeleição de Lula na Bolsa, que mais do que devolveu os ganhos obtidos após a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, em um ambiente inviável para ofertas de ações, na visão de executivos de bancos de investimento. “Ninguém vai pagar na frente para esse governo”, disse uma fonte.

O Morgan Stanley prevê queda de 20% a 30% da Bolsa e chance de dólar a R$ 6,00 caso os riscos fiscais aumentem. O JPMorgan avalia que o resultado das urnas reduz a probabilidade de “alteração relevante” na economia e fala em “reprecificação intensa” das ações brasileiras “nos próximos dias”.

Dez ofertas eram previstas

Pelo menos 10 ofertas subsequentes (follow-ons) poderiam vir a mercado até dezembro, de acordo com fontes. Algumas poderiam ser anunciadas ainda nesta segunda-feira, a depender do comportamento dos ativos a um desfecho em que o senador Flávio Bolsonaro saísse vencedor do pleito.

Algumas empresas já estavam com o dedo no gatilho para anunciar ofertas em bolsa nesses próximos dias, prevendo um movimento de forte alta da Bolsa com eventual eleição de Flávio. Entre elas, o Banco Pine que pretende levantar cerca de R$ 400 milhões em uma oferta subsequente. O Banco Mercantil era outro candidato.

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O grande temor do mercado é de que o presidente reeleito siga com políticas que desequilibrem o orçamento do governo, muito dependente de gastos rígidos, difíceis de cortar, e não faça um ajuste fiscal capaz de efetivamente trazer impacto positivo na taxa de juro e para o crescimento do país.

Consultoria prega reformas estruturais

“Sem reformas estruturais que resolvam as despesas obrigatórias, o Brasil vai permanecer em um ambiente de baixo crescimento e de altas taxas de juros”, ressaltou a diretora para o Brasil da consultoria inglesa TS Lombard, Elizabeth Johnson, em uma teleconferência com investidores nesta segunda-feira.

A TS projeta que, sem um ajuste fiscal, a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) do País, um dos indicadores de endividamento mais monitorados, pode bater em 117,6% em 2036, nível de país desenvolvido, mas insustentável para um país emergente. “Sem disciplina fiscal, a situação das contas públicas é insustentável e pode levar o Brasil ao default”, ressalta Johnson.

O ano de 2026 tem tido alguma recuperação das ofertas de ações, mas sobre uma base muito fraca de 2024 e 2025 e ainda bem aquém de períodos bons, como 2020 e 2021, anos de recordes. No ano, até setembro, as ofertas de ações saltaram 733%, para R$ 34,8 bilhões entre janeiro e setembro - foram 11 operações, incluindo uma oferta inicial (IPO) e 10 ofertas subsequentes, ante seis no mesmo período de 2025, um dos períodos mais fracos dos últimos anos.

Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 26/10/2026, às 16:10

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