
Nova York e São Paulo – A empresa de saneamento Aegea, uma das maiores do Brasil, está em análise avançada para bater o martelo sobre a participação no leilão de saneamento de Pernambuco, cujos investimentos previstos somam cerca de R$ 19 bilhões. O certame ocorre dentro de um mês. Uma das alternativas na mesa é entrar na disputa por meio de um consórcio com seus acionistas, a Itaúsa, o Fundo Soberano de Singapura (GIC) e a Equipav.
“Estamos estudando tudo. No caso de Pernambuco, está na reta final. Estamos super interessados”, diz o CEO da Aegea, Radamés Casseb, em entrevista exclusiva à Coluna, durante evento do Bradesco BBI, em Nova York, nos Estados Unidos.
De acordo com ele, os acionistas demonstram “pleno interesse” em entrar em sociedade com a Aegea na disputa pelas concessões de água e esgoto de Pernambuco e também em futuros novos negócios. A estrutura de sociedade, chamada de co-controle, já foi utilizada no leilão de saneamento do Rio de Janeiro, em 2021. Além disso, Itaúsa, GIC e Equipav fizeram um aporte de mais R$ 424 milhões na companhia no fim de março.
Decisão deve sair mais próxima à disputa
No caso do leilão de Pernambuco, a decisão da Aegea já está na fase de governança, última etapa da análise do ativo. São dois blocos: o lote da capital, que inclui 160 municípios e Fernando de Noronha, o maior deles, e o do Sertão, que abrange 24 municípios. O prazo de concessão é de 35 anos.
Segundo Casseb, os acionistas ainda não garantiram que disputarão o certame em conjunto. Geralmente, essas decisões ocorrem mais próximas do leilão, diz. A abertura das propostas se inicia no dia 11 de dezembro, e o leilão está agendado para 18 de dezembro, na B3. Este é o último grande projeto do setor de saneamento previsto para 2025.
O que fará diferença para a Aegea seguir adiante na disputa pelo leilão de Pernambuco é um “olhar intrínseco” sobre o desafio dos dois blocos que serão colocados ao mercado, avalia Casseb. O que está em jogo, afirma, é a demanda de capital e alocação no tempo, considerando os elevados juros no Brasil, com a Selic em 15% ao ano.
“Estamos falando de R$ 13 bilhões de investimento hiper concentrado nos primeiros períodos para resolver o problema da falta da água”, disse o presidente da Aegea, referindo-se ao bloco maior que será ofertado. Além disso, o fato de já existir uma parceria público privada (PPP) de esgoto na região metropolitana, bloco de maior interesse do mercado, exigirá do vencedor coabitar com duas concessionárias para o mesmo cliente. “E isso tem um nível de complexidade diferente”, afirma Casseb.
Iguá não deve participar
Já a Iguá, concorrente da Aegea e outro nome de peso do saneamento, sinalizou à Coluna que não deve participar da disputa em Pernambuco. Com novas concessões em segundo plano, a empresa deve concentrar esforços em duas de suas principais operações: Rio de Janeiro e Sergipe, que demandam forte dedicação financeira e operacional.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 19/11/2025, às 18:12 e 18:45
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