Consignado do Master distribuiu lucros milionários e foi parar em teia de fundos da Reag

Operação do banco de Daniel Vorcaro está no meio de investigações da PF e do INSS; banco afirma que não cometeu ilegalidades nas concessões e gestora não se manifestou

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"Sem freio, Toffoli pode levar STF para buraco que é o caso Master", diz Roseann

No “Estadão Analisa” desta segunda-feira, 19, Roseann Kennedy comenta sobre as ligações do Banco Master com o BRB e as consequências da investigação. Crédito: TV Estadão

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SÃO PAULO E BRASÍLIA — A PKL One, empresa que atua como braço na venda e cobrança de créditos consignados do Credcesta, do Banco Master, está abrigada em uma complexa teia de fundos de investimentos administrados pela Reag Investimentos, gestora investigada na Operação Carbono Oculto por suspeitas de ligação com o crime organizado.

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Essa rede, que conta com pelo menos três fundos de investimentos, aportou R$ 193 milhões na PKL One. Em apenas um mês, ela distribuiu lucros de R$ 32 milhões.

Esses fundos não forneceram documentos a auditores independentes para que suas demonstrações financeiras pudessem ser examinadas. Por isso, as empresas de auditoria entregaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) pareceres com abstenção de opinião sobre os fundos.

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Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro, o controlador do Banco Master, disse que o banco não cometeu ilegalidades na concessão de consignados e que todos os contratos tinham consentimento dos aposentados. A Reag não se manifestou e a reportagem não conseguiu contato com a PKL One.

Sede do Banco Master em São Paulo Foto: Werther Santana/Estadão

O Credcesta oferece um cartão de benefício consignado, uma espécie de cartão de crédito com desconto direto no salário de funcionários públicos e aposentados.

O negócio tem origem na Bahia, onde o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master, e seus sócios cultivaram conexões políticas e obtiveram o direito de conceder empréstimos consignados a servidores públicos. Posteriormente, o Credcesta passou a atuar com servidores de 24 Estados e com aposentados de todo o País.

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O produto financeiro é a peça central na suspeita de fraudes contra aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e na investigação sobre negócios com o Banco de Brasília (BRB) — que fez uma oferta de compra de parte do Banco Master, negócio que foi barrado pelo Banco Central.

A Polícia Federal apura fraudes na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito pelo Master ao BRB — das quais fazem parte créditos consignados. Já uma investigação feita pelo INSS concluiu que o Master não conseguiu comprovar a validade de 254 mil contratos com aposentados, como revelou o Estadão.

Esquema de fundos

A PKL One, responsável pela venda do cartão de crédito consignado que impulsionou o Banco Master, é uma sociedade anônima — que tem seus sócios em sigilo na Junta Comercial. Mas é dirigida por funcionárias de empresas ligadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e considerado o “pai” da entrada do Master nos consignados. Procurado, Lima não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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A teia da Reag em que a PKL One está enredada é bastante complexa. Ao lado da Ametrino Participações, com a qual compartilha o quadro de diretores, ela recebe investimentos do fundo Diamond.

Esse fundo, que tem patrimônio de R$ 193 milhões, tem como seu cotista o fundo Gardênia, também abrigado na Reag. Este fundo, por sua vez, tem como cotistas, por exemplo, o MMPG, administrado pela WNT, também investigada pela Polícia Federal no caso Master.

Lucros milionários e conexões políticas

Documentos da Junta Comercial de São Paulo, onde a PKL está registrada, mostram a escalada na distribuição de lucros. Somente em um trimestre de 2021, pagou R$ 10,8 milhões. No exercício de dezembro de 2024, foram R$ 32 milhões.

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Os documentos não informam quem foi destinatário dos lucros, mas todos os atos são assinados por uma funcionária de empresas de Augusto Lima.

A cadeia de fundos abrigados na Reag e em outra administradora alvo da PF passou a investir na empresa em 2018, ano em que o Master assumiu o Credcesta na Bahia. O cartão consignado passou para as mãos do banco graças à atuação de Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Lima era parceiro da empresa estrangeira que venceu o leilão de privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), gestora da rede de mercados Cesta do Povo, criada para fornecer alimentos à população de baixa renda.

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Por um decreto do então governador Rui Costa (PT), hoje chefe da Casa Civil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem levasse a Ebal também teria direito a fornecer consignados a servidores com margem de até 30% da remuneração dos correntistas. Procurado, Costa não se pronunciou.

Lima tinha conexões com políticos que iam do PT ao PL da Bahia. Casado com Flávia Peres, ex-ministra do governo Jair Bolsonaro (PL), ele criou na Bahia um instituto filantrópico. Na inauguração, estiveram presentes de ACM Neto (União) ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Augusto Lima mantinha amizade com Rui Costa e outros líderes do PT na Bahia, entre eles o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (BA), antes e depois de estruturar o Credcesta. Foi a privatização na Bahia que o tornou atrativo para virar sócio de Daniel Vorcaro.

Com a investigação avançando sobre os negócios do empresário e sobre o Master, ele não foi visto mais próximo dos petistas, segundo interlocutores. Rui Costa tem dito a aliados que não houve nenhuma irregularidade na privatização da Ebal e que não tem nada a temer nas investigações que miram o amigo baiano.

Consignado investigado

Como revelou o Estadão, a área técnica do INSS pôs sob suspeita 74,3% de um universo de 338 mil contratos de empréstimo consignado com beneficiários da Previdência Social entre outubro de 2021 e setembro de 2025.

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A área técnica da Diretoria de Benefícios do órgão entendeu que o banco não conseguia comprovar que realmente firmou os contratos com os aposentados.

O Master não teve seu acordo com o INSS renovado para manter os consignados e foi proibido de conceder novos empréstimos. Técnicos consideraram que a modalidade Credcesta era a mais problemática.

Dados obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que o Master tinha apenas um consignado com beneficiários do INSS até novembro de 2022. Em dezembro, subiu para mais de 100 mil consignados.

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Já a Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, que chegou a levar à prisão o dono do banco, Daniel Vorcaro, afirma que o Master adquiriu carteiras de crédito consignado de uma empresa ligada ao próprio banco cuja origem não conseguia comprovar.

A Reag, que abriga o Credcesta em fundos de investimentos, é investigada por suposta lavagem de dinheiro para Vorcaro e em benefício de empresários do setor do combustível ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) - o que a gestora nega.

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