A Coca-Cola do Brasil abrirá editais a partir de 8 de março de 2023 para o programa “Empreenda Como Uma Mulher”, que visa incentivar e qualificar donas de pequenos negócios ligados ao setor de alimentação. O projeto visa “acelerar” 40 pequenas empreendedoras, ao fornecer treinamento para diversas questões ligadas à gestão e governança, oferecer crédito mais barato e, em alguns casos, uma quantia diretamente às beneficiadas.
O programa é feito em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a ONG Aliança Empreendedora e prefeituras e se encaixa na estratégia de negócios e ESG (ambiental, social e de governança corporativa) da Coca-Cola. A próxima edição do “Empreenda Como Uma Mulher” terá 6 mil vagas, das quais quatro mil no município de São Paulo e as duas mil restantes espalhadas nas cidades de Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Manaus e Brasília.
O projeto começou durante a pandemia, a partir de um movimento da indústria chamado “Nós”, que visava ajudar o pequeno varejo, ao ensinar boas práticas e fornecer auxílio em programas de crédito. Com o arrefecimento da pandemia, a Coca-Cola continuou o programa de forma própria, inicialmente chamado de “Crescendo Juntos”, ao lado da Associação Nacional das Baianas de Acarajé. Posteriormente, mudou o nome para “Coca-Cola dá um gás no seu negócio”, com a formatação de uma plataforma em que aulas continuam sendo ofertadas digitalmente aos pequenos empreendedores.
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“Vimos que só o crédito facilitado não adiantava, só uma condição comercial diferenciada não era suficiente, precisava ter também programas de capacitação para o pequeno varejo”, explica Katielle Haffner, gerente sênior de Relações Corporativas e ESG da Coca-Cola Brasil. Posteriormente, o programa evoluiu para um apoio direto focado em mulheres. O projeto tem o recorte por gênero e é focado em negócios do setor alimentício. Não há um tamanho de negócio pré-determinado, e o empreendimento pode até mesmo ser informal.
As participantes do Empreenda Como Uma Mulher se inscrevem a partir da internet e 650 são selecionadas para participar da fase inicial, a partir de critérios como o tamanho do negócio. O programa dura entre três e seis meses, e passam por uma série de temáticas para ajudá-las a crescer e se desenvolver.
As prefeituras são um meio de chegar a cada comunidade, enquanto o Sebrae e a Aliança Empreendedora fornecem o conteúdo prático, trabalhado antes do início das aulas pela Coca para ter um formato mais simples. A fabricante de bebidas também é a responsável pelo acesso a uma facilitação de crédito e à ajuda para o fluxo de caixa.

Das 650 selecionadas, cerca de 40 eram “aceleradas” ao final, quando recebiam o crédito facilitado ou as quantias para investir no próprio negócio e melhorar o fluxo de caixa - a divisão de quem recebia qual era geográfica, sendo que as do Nordeste recebem o dinheiro diretamente e as do Sudeste e do Sul têm condições facilitadas para empréstimos. No entanto, na nova edição, todas poderão receber diretamente a quantia.
As 40 são escolhidas a partir de sua percepção da dedicação ao projeto. “Nós vamos entendendo o estágio de maturidade, o quanto ela consegue ter a dedicação ao negócio e ao programa, nessa relação ‘one-to-one’’, conta Haffner. A avaliação é feita com a ajuda de outras empreendedoras e líderes comunitárias que conhecem a linguagem das mulheres participantes. As “aceleradas” também passam a contar com condições de compra diferenciadas e contato direto com a Coca-Cola.
História
Uma das “aceleradas” foi Cláudia Pinheiro, dona do Dendê da Preta, negócio de comida baiana no subúrbio de Salvador. Durante a pandemia, Pinheiro começou a vender os quitutes em uma bicicleta e, em 2022, conseguiu abrir um trailer em uma praça para também comercializar os produtos. Foi o mesmo ano em que entrou no programa da Coca-Cola.
Segundo Pinheiro, a filha viu o anúncio da empresa em uma rede social e a inscreveu. “Foi algo que veio no momento certo. Me mostrou que a gente pode ir muito mais além, precisa ter organização financeira, deixar de ser passiva e ser mais ativa, ir até o cliente através das redes sociais”, conta. O dinheiro recebido (R$ 3.000) foi investido para comprar mesas, cadeiras, uma panela e um forno.
“[O programa foi] Positivo, teve as mentorias, que abriram muito a minha visão. O mundo do empreendedorismo é gostoso, mas é solitário. É um corre-corre em que a gente tem que fazer a coisa acontecer, tudo aquilo está nas suas mãos”, conta Cláudia. Segundo ela, pessoas da família já tiveram negócios de vender quitutes, mas não tinham a visão de pensar como um empreendimento. Para o futuro, a empresária tem como meta ter um ambiente físico, além de se tornar mais conhecida para atrair clientes.
Estratégia
Os programas são vistos pela Coca como uma estratégia benéfica para ela própria enquanto empresa. “O desenvolvimento dos pequenos negócios é o desenvolvimento da Coca Cola no longo prazo”, afirma Haffner. Com um milhão de pontos de venda no Brasil, a fabricante de bebidas considera que os projetos ajudam a entrar em contato com os pequenos empreendedores de forma que pesquisas não seriam capazes, além de alavancar as vendas.
O planejamento da Coca-Cola para a pauta ESG também contempla os programas. “É uma estratégia de desenvolvimento social. Ao impulsionar um negócio, acaba-se impactando famílias por meio da inclusão produtiva”, opina Haffner. Ao privilegiar negócios comandados por mulheres, a empresa tenta ajudar a diminuir a desigualdade de gênero.
Em relação às questões ambientais, melhoras são previstas para este ano para os programas também incluírem alguns pontos. “Em 2023, vamos levar um modo de capacitação em economia circular, que traz o ambiental. Algumas pessoas não sabem que a latinha pode gerar uma receita, por exemplo”, conta a gerente de ESG da Coca-Cola. “Hoje, pensamos em criar valor compartilhado, transformar via cadeia produtiva”, completa.



