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O ano de 2025 será um “divisor de águas” na implementação da agenda de sustentabilidade por parte das empresas brasileiras, segundo o presidente da diretoria nacional do Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), Sebastian Soares. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Soares reiterou que as companhias abertas devem aproveitar este ano para “errarem e se ajustarem”, já que a partir de 2026 será obrigatória a divulgação do relatório de riscos ESG.
De acordo com resoluções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Conselho Monetário Nacional (CMN), empresas que têm ações negociadas na Bolsa e bancos de grande porte serão obrigados a publicar relatórios de sustentabilidade a partir de 2026.
No caso das companhias abertas, o documento já está disponível desde 2024, em caráter voluntário. Vale e Renner foram as primeiras a aderirem à iniciativa e deverão divulgar os relatórios com os novos padrões internacionais até setembro deste ano.

Na avaliação de Soares, a divulgação dos documentos por essas duas empresas servirá de termômetro para que outras companhias possam seguir o mesmo caminho já em 2025, antes que a regra seja “mandatória”. Ele reforçou que este ano será o “período de errar” e corrigir a rota, já que o não cumprimento da norma ainda não vai resultar em aplicação de multas e penalidades.
“Não sei precisar o número (de empresas) deste ano, mas eu acredito que vai ter um volume bem maior de adesão voluntária em 2025. Quem deixar para 2026, que é ano mandatório, não vai ter tempo de errar. O risco é esse”, ponderou. Segundo ele, este ano será um período em que todas as partes do processo devem convergir interesses e aprender juntas sobre a nova agenda de sustentabilidade.
O presidente da Ibracon afirmou que o maior risco em relação à implementação dessa agenda no Brasil envolve treinamento e capacitação, já que exigirá preparo de todos os atores envolvidos. Ele citou, por exemplo, o ambiente acadêmico, que precisará treinar os alunos; os contadores, que terão a responsabilidade para reter dados não financeiros a serem previstos nos relatórios; os auditores independentes, que deverão dar credibilidade a essas informações; e os próprios reguladores.
“O maior risco que eu vejo é exatamente você pegar uma base grande de profissionais e ensiná-los coisas que até então não eram do nosso conhecimento. Por isso 2025 vai ser um divisor de águas”, disse.
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Soares avaliou ainda que a postura do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de maior negacionismo climático deve gerar efeitos na agenda sustentável mundial apenas no curto prazo. No médio e longo prazo, disse, a pauta se fortalece com o apoio de grandes “players”, como Reino Unido, países da União Europeia, Japão e Austrália. “As ações de Trump têm efeito talvez no curto prazo, mas para mim essa agenda de sustentabilidade é uma agenda dada”, enfatizou.






