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Latam avalia pedir recuperação judicial no Brasil, nos Estados Unidos e no Chile

​Com o pedido triplo, aérea tentaria acomodar eventuais diferenças de abrangência de legislações, já que é uma empresa chilena, mas com a maior parte das operações no Brasil

Sofrendo com a crise decorrente da pandemia da covid-19, a Latam estuda pedir recuperação judicial no Brasil, nos Estados Unidos e no Chile, apurou o ‘Estadão/Broadcast’. O pedido triplo visaria acomodar dificuldades que tem por ser uma empresa chilena, mas com a maior parte de suas operações no Brasil. Ao acessar o Chapter 11 da lei de falências americana, a companhia aérea ainda encontraria uma saída para negociar compromissos com arrendadores de aeronaves, o que não é possível pela lei de recuperação judicial brasileira. 

Se entrar com pedido, Latam será 2ª aérea da América Latina em recuperação. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

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Se entrar com o pedido, a Latam será a segunda companhia da América Latina nessa situação. Há duas semanas, a colombiana Avianca Holding também recorreu ao Chapter 11, o equivalente à recuperação judicial brasileira. A Avianca, no entanto, já enfrentava sérios problemas financeiros antes da pandemia.

Procurada, a Latam informou não comentar especulações. Disse ainda que, “se o grupo tivesse algo a comunicar, em particular, fatos que se exigem relatar, em primeiro lugar, às autoridades reguladoras, isso seria feito por meio de canais formais, pela responsabilidade que tem perante as autoridades, seus funcionários e o público em geral”.

A Latam é vista como uma das aéreas com maior dificuldade para atender as condições de acesso ao pacote emergencial para o setor aéreo que está sendo preparado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na avaliação de especialistas. Isso porque não tem capital aberto no Brasil, o que dificultaria seu acesso ao modelo de auxílio que está sendo estruturado.

Em Brasília, há ainda a interpretação de que, por se tratar de uma empresa chilena, Santiago deveria ajudar no socorro da empresa. No Chile, porém, há uma dificuldade extra: o presidente Sebastián Piñera já foi acionista da companhia e é próximo à família Cueto, controladora da empresa. Uma ajuda financeira à Latam poderia, portanto, não ser bem recebida no país.

Segundo apurou a reportagem, a companhia contratou recentemente o banco PJT Partners para ajudá-la na reestruturação de sua dívida. Há 10 dias, a empresa deixou de honrar o pagamento de uma parcela de um empréstimo de US$ 1 bilhão feito em 2015 para comprar 17 aeronaves. A dívida foi estruturada nos Estados Unidos -- daí o pedido de recuperação no país. Nos últimos dias, a Latam demitiu funcionários e tentou levantar recursos parar quitar o valor devido, sem sucesso até agora.

Diante da inadimplência, as agências de classificação de risco de crédito Fitch e S&P rebaixaram a nota da empresa na última sexta-feira. Em relatório, a Fitch destacou que a Latam tem um período de carência de 15 dias para realizar o pagamento, mas que não estava claro se a companhia pretendia cumprir com a obrigação ou se iria iniciar um processo de reestruturação de dívida maior.

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Já os analistas da S&P escreveram que “as preocupações com uma reestruturação da dívida ou um pedido de falência estão aumentando”.

Em março, o UBS havia afirmado, em relatório, que a Latam era a companhia aérea com atuação no mercado doméstico mais vulnerável à crise.

Segundo cálculos do banco, o caixa da empresa deveria ficar negativo já neste segundo trimestre com a redução dos voos em 70%, corte anunciado pela Latam à época. A Avianca era outra empresa em situação semelhante, escreveram os analistas do UBS.

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