Moody’s mantém classificação do Brasil estável e diz o que falta para ver o País como bom pagador

Segundo a agência, a economia grande e diversificada, com exposição limitada a choques externos, é pressionada por pagamento elevado de juros, rigidez nos gastos e dívida pública crescente

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Alexandre Schwartsman fala sobre desafio do ajuste fiscal no próximo governo

Ex-diretor do BC fala sobre a situação das contas públicas em 2027. Crédito: Alan Morici/Estadão

A Moody’s informou nesta quarta-feira, 26, que conduziu no último dia 20 uma revisão periódica do rating (classificação) do Brasil e manteve as notas de crédito do País, incluindo o Ba1 de longo prazo. Desde outubro de 2024, o País está avaliado com essa nota, a um passo do grau de investimento — ou seja, de ser considerado um bom pagador (e, assim, atrair mais investidores).

A agência avalia que o perfil de crédito do Brasil reflete um equilíbrio entre pontos positivos e negativos. Contam a favor do país a economia grande e diversificada, com exposição limitada a choques externos. De outro lado, há limitações impostas por pagamento elevado de juros, rigidez nos gastos e o crescente peso da dívida pública.

Segundo a agência, o rating soberano do Brasil poderia ser elevado se emergisse um consenso entre Executivo e Congresso para pôr em marcha 'ajustes de gastos mais profundos' Foto: Timon/Adobe Stock

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“Reformas econômicas estruturais implementadas por sucessivas administrações nos últimos anos fortaleceram as perspectivas de investimento e crescimento. No entanto, a polarização política é uma restrição à formulação de políticas, o que limita os esforços de ajuste fiscal”, afirma a Moody’s.

Segundo a agência, o rating soberano do Brasil poderia ser elevado se emergisse um consenso entre Executivo e Congresso para pôr em marcha “ajustes de gastos mais profundos”. Medidas que reduzissem a vinculação de receitas e alterassem a indexação de benefícios sociais ao salário mínimo, além de mudanças na previdência social, “criariam espaço fiscal e melhorariam o perfil de crédito”.

“De forma mais ampla, reformas macroeconômicas que aprimorassem o arcabouço de política monetária, levando a uma transmissão mais eficaz, também contribuiriam para reduzir a vulnerabilidade da posição fiscal do Brasil aos ciclos de aperto”, afirma a Moody’s.

De outro lado, pode haver “pressão negativa” sobre o rating caso os esforços de consolidação fiscal sejam revertidos ou não se mostrem eficazes. Isso enfraqueceria ainda mais a confiança dos investidores, resultando em piora da capacidade de pagamento da dívida. Sinais de crescimento significativamente mais fraco também pesariam no perfil de crédito do Brasil e poderiam motivar uma ação negativa de rating, pontua a agência.

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Impacto do tarifaço

Segundo a agência, a economia brasileira tem mostrado resiliência em meio ao aumento recente das tensões comerciais com os EUA. A Moody’s ressalta que o governo americano promoveu um alívio tarifário ao Brasil no último dia 13 que incluiu produtos agrícolas relevantes, como café, carne bovina e algumas frutas tropicais. Em agosto, os EUA haviam imposto tarifas de 50% à importação da maioria dos produtos brasileiros.

“Os EUA representam cerca de 12% das exportações do Brasil e as isenções cobrem mais da metade desse volume. Portanto, as taxas efetivas de tarifas são consideravelmente menores, em torno de 25%. No geral, o impacto das tarifas mais altas dos EUA na economia do Brasil tem sido limitado”, afirma a Moody’s.

Em outubro passado, ao elevar a nota do Brasil, a agência tinha projetado uma perspectiva positiva. Mas, em 30 de maio, embora tenha mantido a nota, a agência anunciou a mudança da perspectiva de positiva para estável. A reavaliação, segundo a Moody’s, refletia uma deterioração acentuada na capacidade de pagamento da dívida. A perspectiva estável é reiterada agora.

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