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Quem deve financiar o desenvolvimento sustentável?

Diferentemente da visão convencional, aos Estados não deveria caber apenas mitigar riscos e garantir retornos financeiros

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Por Fernando Teixeira e André Luz de Godoy
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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O vão entre necessidade e realidade do financiamento ao desenvolvimento sustentável é estimado em trilhões de dólares, e um dos grandes pontos do debate é sobre quem deve preencher essa lacuna.

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Diferentemente da visão convencional, aos Estados não deveria caber apenas mitigar riscos e garantir retornos financeiros.

Além dos aparatos fiscais e dos esforços de Tesouros Nacionais, Bancos Públicos de Desenvolvimento (BPD) e Fundos Soberanos de Riqueza (FSR) podem alocar recursos de forma “paciente”, criar e formatar mercados, e, assim, gerar previsibilidade aos demais agentes econômicos em um mundo de crescentes incertezas.

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Diversos Estados e municípios estão pleiteando ao CMN uma regulamentação específica Foto: Adobe Stock

Fornecer os incentivos corretos, sedimentar as condições e respeitar as maturidades por meio de modalidades e instrumentos financeiros são exemplos do que podem fazer para catalisar recursos privados para projetos com propósito público.

Mas a liderança dessas instituições vai além da aplicação direta de recursos: elas podem contribuir para a construção de ecossistemas, promoção de boas práticas, fortalecimento de governanças e estímulo a comportamentos sustentáveis.

Em âmbito subnacional, tais instituições são ainda mais importantes. Por terem mandato, conhecimento local e capacidade responsiva às necessidades das populações, tendem a fomentar maior participação do setor privado em projetos verdadeiramente transformadores.

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No Brasil, há 13 bancos públicos, 16 agências de fomento, além de 7 fundos soberanos em operação, número que deve crescer nos próximos anos.

Mas é fundamental ampliar a coordenação desses expedientes, estimulando parcerias que atraiam investidores de peso para projetos estruturantes.

Um exemplo é o que ocorre no Espírito Santo. O banco de desenvolvimento do Estado é o principal gestor dos recursos do Funses, o fundo soberano capixaba, e modelou um Fundo de Direitos Creditórios (Fidc) para a descarbonização industrial alinhado às metas estaduais de desenvolvimento sustentável. Com alocação inicial de R$ 500 milhões oriundos do Funses, já houve catalisação de R$ 400 milhões da iniciativa privada.

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Esse tipo de inovação institucional pode vir a ser replicada, desde que haja um ambiente propício e segurança jurídica para os gestores. Por isso, diversos Estados e municípios estão pleiteando junto ao Conselho Monetário Nacional (CMN) uma regulamentação específica que reconheça naturezas e mandatos dos FSRs existentes, permitindo-os atrair investimentos de impacto econômico, social e ambiental para os territórios.

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Opinião por Fernando Teixeira

Diretor de Estratégia e Relações Institucionais do Fórum de Fundos Soberanos Brasileiros (FFSB)

André Luz de Godoy

Diretor executivo da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE)