Cúpula expõe contradições do Brics, mas agente externo dá algum sentido ao grupo
Confira análise do repórter Felipe Frazão sobre a Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. Crédito: Felipe Frazão/Estadão, AFP e AP Video Hub
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O presidente dos Estados Unidos voltou a criticar nesta sexta-feira, 18, o Brics, grupo fundado por Brasil, Rússia, Índia e China e hoje composto por 11 países-membros e oito parceiros. Donald Trump reafirmou que o bloco tenta “acabar com a dominância do dólar”. Em evento na Casa Branca, o republicano repetiu sua promessa de retaliar economicamente os países do grupo: “A todos os países do Brics, vamos tarifá-los em 10%”.
Anteriormente, Trump havia anunciado que a tarifa de 10% sobre os países do Brics seria em caráter “adicional” — nesta sexta, o presidente não especificou a maneira pela qual a taxa seria aplicada.
Trump ainda minimizou a força do grupo ao dizer que o Brics se reuniu, “mas ninguém compareceu”, após a ausência do presidente da China, Xi Jinping, e do líder russo, Vladimir Putin, na cúpula no Rio de Janeiro. O republicano declarou que o bloco “não vai durar muito. Acho que nem vão seguir adiante”.

O bloco econômico é, em 2025, presidido pelo Brasil e realizou cúpula no Rio de Janeiro às vésperas do anúncio da tarifa de 50% para os produtos brasileiros exportados para os EUA.
Trump acrescentou que, ao tomar conhecimento do Brics, os “atacou com muita força” e prometeu agir caso o grupo avance: “Se o Brics se organizar de forma significativa, isso vai acabar muito rapidamente”, sem especificar o que se encerraria “rapidamente”.
Trump reforçou a importância de manter o valor da moeda americana. “Não vamos deixar o nosso dólar perder o seu valor” e acrescentou: “Não podemos deixar que ninguém brinque com a gente, com o nosso dólar. Perder essa luta é como perder uma guerra”.
Ameaça em meio à cúpula do Brics
Na segunda-feira, 7, enquanto se realizava a cúpula do Brics no Rio e mesmo dia em que o presidente disparava as primeiras cartas com aviso de taxação de países, Trump havia feito a ameaça de tarifa de 10% para os países do bloco.
“Qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics será submetido a uma tarifa adicional de 10%. Não haverá exceções a essa política”, escreveu Trump, em sua rede Truth Social, sem mencionar o Brasil, na noite de 7 de julho.
Durante a Cúpula do Brics Brasil, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o Brasil é “soberano” e que também pode taxar os EUA. “Se o Trump pode taxar, nós podemos taxar também”, disse.
Nas redes sociais, chegou a circular um vídeo com uma suposta moeda do Brics, que aumentou a polêmica. Em nota ao Estadão Verifica, a presidência brasileira dos Brics negou a criação de uma moeda própria. “Não há proposta com esse escopo em discussão”, disse, “o que está sendo debatido é a possibilidade de viabilizar transações comerciais entre os países-membros utilizando suas próprias moedas, conforme explicou recentemente o presidente Lula em entrevista coletiva no encerramento da cúpula do Brics, no Rio de Janeiro”.
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