Qual o impacto da queda da bolsa e alta do dólar na economia
O estrategista-chefe da Monte Bravo, Raí Chicoli, aponta que movimentos negativos do mercado financeiro podem impactar a inflação e também o crédito.
O Ibovespa enfrenta volatilidade após a reeleição de Lula, com queda de quase 14% na segunda-feira, 26 de outubro de 2026, e disparada do dólar. Investidores ajustam expectativas para a política econômica de 2027, enquanto aguardam sinais sobre a equipe econômica e controle fiscal. Fernando Bresciani, do Andbank, destaca reposicionamento de investidores. O Banco Central e a FGV divulgam dados econômicos relevantes. Nos EUA, indicadores econômicos podem influenciar mercados globais.
O Ibovespa hoje chega ao pregão desta terça-feira (27) ainda sob os efeitos da forte reprecificação dos ativos brasileiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após o tombo de quase 14% na segunda-feira (26), em uma sessão marcada pelo acionamento do circuit breaker e pela disparada do dólar, o mercado deve continuar ajustando suas expectativas para a política fiscal e monetária a partir de 2027.
Com o aumento dos prêmios de risco, sinais sobre a composição da equipe econômica, uma eventual revisão do arcabouço fiscal e medidas de controle das despesas entram no radar. Essas indicações podem influenciar o dólar e os juros futuros, com reflexos nas ações de empresas mais dependentes do crédito e do consumo doméstico.
“Com a definição eleitoral, houve um reposicionamento dos investidores e realização de parte dos ganhos acumulados ao longo do mês, aumentando a pressão vendedora sobre a bolsa”, afirma Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.
“Esse movimento pode continuar no curto prazo, embora com menor intensidade, à medida que o mercado assimila o novo cenário e aguarda novas sinalizações políticas e macroeconômicas. A tendência é de uma acomodação gradual dos ativos, ainda com maior cautela”, completa.
Nesse cenário, a atenção também se volta para a atuação do Banco Central. Pela manhã, Gabriel Galípolo participa de uma coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), documento que avalia os riscos e a solidez do sistema financeiro brasileiro. Embora o encontro não seja dedicado à política monetária, eventuais comentários sobre a volatilidade recente, as condições de liquidez e os riscos financeiros podem ganhar relevância após a forte oscilação dos ativos na sessão anterior.
Na agenda econômica doméstica, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga, às 8h (de Brasília), o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) de outubro, que mede a evolução dos custos de materiais, serviços e mão de obra no setor. O indicador havia avançado 0,25% em setembro e pode oferecer novas informações sobre as pressões de custos na construção civil, segmento especialmente sensível ao comportamento dos juros.

No exterior, os investidores acompanham, às 9h, as encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos, com expectativa de alta de 2% em setembro, após estabilidade em agosto. O indicador funciona como um termômetro da demanda por produtos de maior valor e dos investimentos empresariais, podendo alterar as expectativas para o crescimento econômico americano e para os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.
Às 11h, o Departamento do Comércio divulga as vendas de moradias novas de setembro, com projeção de queda de 4,5%, após avanço de 6,4% em agosto. No mesmo horário, o Conference Board apresenta o índice de confiança do consumidor de outubro, cuja expectativa é de recuo de 81,9 para 80,9 pontos. Os resultados podem oferecer sinais sobre a resistência da demanda americana aos juros elevados e influenciar os rendimentos dos Treasuries (títulos de dívida dos EUA), o dólar e o desempenho das bolsas internacionais.
O que movimentou o Ibovespa na segunda-feira (26)
Na sessão anterior, o Ibovespa encerrou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, o menor patamar desde agosto. A reação à reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos, provocou uma onda de vendas que levou a B3 a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020.
Após a retomada das negociações, o índice chegou a recuar 16,8%, aos 170,4 mil pontos, antes de recuperar parte das perdas. O movimento refletiu a revisão das expectativas para a política econômica a partir de 2027, especialmente diante das preocupações com a sustentabilidade da dívida pública e a possibilidade de novas mudanças nas regras fiscais.
No mercado de câmbio, o dólar à vista disparou 8,21% frente ao real, encerrando o pregão a R$ 5,40, na maior oscilação diária desde janeiro de 1999.
Entre as ações da B3, as maiores perdas ficaram concentradas em empresas mais sensíveis ao ciclo econômico e às condições de financiamento, com destaque para as ações do Magazine Luiza (MGLU3), que despencaram 58,23%.
Confira
Em Nova York, os índices encerraram no positivo nesta sessão: Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 avançaram 0,29%, 0,82% e 0,7%, respectivamente.
A seguir, confira a agenda desta terça-feira (27):