Gerando resumo

Com o Ibovespa e o índice de small caps (companhias consideradas pequenas quando comparadas com as demais empresas na Bolsa) em queda de 14% e 27%, respectivamente, o real desvalorizado 8% ante o dólar e os juros nominais de 10 anos com abertura de 240 pontos-base em uma única sessão, o Citi afirma que a guinada à esquerda no segundo turno no Brasil pegou o mercado de surpresa.
Em meio ao aumento das incertezas que vão do cenário macro ao micro, o banco dividiu sua cobertura em três grupos para ajudar investidores a navegar nesse momento.
No primeiro, ele classifica como “histórias a evitar”, com empresas cíclicas, de alto beta e altamente alavancadas, em alguns casos ainda mais complicadas por processos de reestruturação desafiadores. São elas: Ânima (ANIM3), Cogna (COGN3), Hapvida (HAPV3), Dasa (DASA3) e Qualicorp (QUAL3).
Segundo os analistas Leandro Bastos e Renan Prata, essas empresas devem ser naturalmente afetadas por revisões negativas de lucros em um ambiente de taxas de juros elevadas por um período prolongado; transferência de valor do capital próprio para os detentores de dívida; e visibilidade operacional limitada. Eles destacam ainda que, embora a Yduqs também se classifique como uma empresa cíclica e de alto beta, os potenciais dividendos relacionados à fusão da Afya podem fornecer algum suporte de avaliação no curto prazo.
No segundo bloco, o Citi aponta “lugares para se esconder”, que favorece ações defensivas que combinam balanços sólidos com excelente visibilidade fundamental, oferecendo aos investidores alguma proteção relativa durante períodos de turbulência no mercado. São elas: Bradsaúde (SAUD3), TIM (TIMS3), Telefônica (VIVT3) e Bemobi (BMOB3).
No terceiro, lista nomes de “fuga para a qualidade”, categoria que engloba histórias de alta qualidade e resiliência que ainda podem sofrer quedas em um movimento generalizado de aversão ao risco, mas onde a reação do preço das ações pode superar qualquer deterioração nos fundamentos subjacentes, potencialmente criando pontos de entrada atraentes.
O banco afirma que, ao contrário da seleção de “lugares para se esconder”, essas ações podem não oferecer proteção imediata contra quedas, já que seus múltiplos mais altos e perfis de maior duração as deixam parcialmente expostas à ampliação das taxas de juros de longo prazo.
A ênfase, portanto, deve ser no monitoramento dos pontos de entrada, pois as correções no preço das ações podem não se traduzir necessariamente em revisões adversas dos lucros, melhorando, em última análise, seus perfis de relação entre preço, lucro e crescimento esperado (PEG) relativos. São elas: Rede D’Or (RDOR3), RD Saúde (RADL3) e Totvs (TOTS3).
Segundo o Citi, os investidores agora ajustam posições diante da perspectiva renovada de um modelo econômico mais orientado pelo Estado, com prioridade à ampliação de redes de proteção social e a uma política fiscal mais frouxa, o que tende a reforçar uma combinação já desafiadora de inflação elevada, juros reais altos por mais tempo e atividade econômica anêmica.
O Citi diz que ainda é cedo para saber onde se fixará o novo ponto de equilíbrio dos preços dos ativos, sobretudo porque a visibilidade sobre o arcabouço fiscal e a condução de políticas permanece limitada.
