Reeleição de Lula: Tesouro Direto paralisa negociações após forte volatilidade nas taxas; acompanhe

Na Bolsa, circuit breaker também interrompeu negócios por 30 minutos

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Reeleição de Lula dispara dólar e juros, aciona circuit breaker na B3 e força forte reprecificação dos títulos do Tesouro nesta segunda-feira. Foto: Taba Benedicto/Estadão

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma das manhãs mais turbulentas do mercado brasileiro desde a pandemia nesta segunda-feira (26). Dólar e juros futuros dispararam, e a Bolsa passou por um circuit breaker, interrompendo parte das negociações por 30 minutos. Os negócios foram retomados em leilão entre 10h30 e 10h35, com o Ibovespa registrando quedas de quase 17%, em meio à sangria generalizada das ações. Os papéis mais cíclicos, ligados à economia real, afundaram até 50%.

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No mercado de renda fixa, não foi diferente. Até às 11h14, os títulos do Tesouro Direto ainda não estavam disponíveis para negociação. Dentro do site oficial da plataforma, investidores encontravam a mensagem “mercado em manutenção”.

Assim como ocorre na Bolsa, os papéis de dívida do Governo também podem ser paralisados em casos de forte volatilidade e irracionalidade dos preços, em uma espécie de Circuit Breaker.

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“O Tesouro Direto informa que está fechado para negociação devido à alta volatilidade nas taxas de juros dos títulos públicos nesta manhã. A expectativa é de normalização ao longo do dia”, aponta a plataforma.

Na sexta-feira, antes da eleição, o Tesouro Prefixado 2029 havia encerrado em 12,76% ao ano e o Prefixado 2032, em 12,89%. Entre os títulos ligados à inflação, o IPCA+ 2032 pagava IPCA mais 6,72%, o IPCA+ 2040, 6,53%, e o IPCA+ 2050, 6,42%.

O choque veio depois de um resultado que contrariou a posição construída por parte relevante do mercado antes da votação. Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ou 64,26 milhões de votos, ante 48,21%, ou 59,83 milhões, de Flávio Bolsonaro (PL).

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A vitória também produziu uma marca inédita desde a volta das eleições presidenciais diretas, em 1989. Flávio havia terminado o primeiro turno na frente, com 47,03%, contra 45,16% de Lula. Até esta eleição, nenhum candidato que terminou atrás na primeira votação havia conseguido vencer o segundo turno desde a redemocratização. Lula reverteu uma desvantagem superior a 2,2 milhões de votos e terminou a disputa cerca de 4,4 milhões à frente.

A virada mantém Lula no Palácio do Planalto até o fim de 2030, em seu quarto mandato como presidente. Para Flávio, a derrota também encerra uma sequência política iniciada há mais de duas décadas: seu mandato no Senado termina em 31 de janeiro de 2027 e, a partir daí, ele ficará sem mandato eletivo pela primeira vez desde que assumiu uma cadeira de deputado estadual no Rio de Janeiro, em 2003.

Mercado desfaz aposta construída após o primeiro turno

Na sexta, os juros futuros haviam encerrado próximos da estabilidade, ainda sob uma percepção predominante de vitória de Flávio. Depois do resultado, o ajuste foi abrupto: a última vez que os juros futuros haviam atingido seus limites de alta intradiária havia sido em março de 2020, no início da pandemia.

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O dólar abriu a R$ 5,4247, alta de 8,64%, e chegou a R$ 5,6047 pela manhã. O Ibovespa futuro caía mais de 14%, enquanto recibos de empresas brasileiras negociados em Nova York registravam perdas expressivas.

Para o BTG Pactual, a reeleição altera o balanço de riscos para os ativos brasileiros no curto prazo. O banco avalia que taxas reais longas mais elevadas, um real mais fraco e expectativas de inflação desancoradas podem dificultar uma aceleração do ciclo de cortes da Selic. A intensidade desse movimento dependerá, sobretudo, das primeiras sinalizações fiscais e da composição da equipe econômica do novo governo.

A partir daqui, o mercado passa a observar menos o resultado da eleição em si e mais as respostas do governo reeleito. A condução das contas públicas, a meta fiscal para 2027, a formação da equipe econômica e os próximos passos do Banco Central devem determinar quanto do prêmio devolvido à curva nesta segunda-feira permanecerá nos títulos públicos.

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Para o investidor do Tesouro Direto, uma alta brusca das taxas significa queda nos preços dos títulos já emitidos. Quem carrega o papel até o vencimento preserva a rentabilidade contratada na compra. Já quem vende antes do prazo fica exposto à marcação a mercado, que pode produzir perdas relevantes em sessões de forte reprecificação como a desta segunda-feira.

Com informações Broadcast.

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