Ex-diretor acusa Uefa, Concacaf e AFC de ‘agenda oculta’ contra a Fifa
Em entrevista ao ‘Estadão’, Véron Mosengo-Omba defende presidente da Fifa, com quem estudou na Suíça e rebate acusações.
Gerando resumo
Após uma crise que abalou o futebol mundial, Gianni Infantino parece ter restabelecido sua força em busca da reeleição para o quarto mandato na presidência da Fifa. O apoio da Confederação Asiática (AFC), na última semana, confirmou o que já era uma tendência depois que diferentes filiados da Ásia já sinalizavam positivamente ao dirigente ítalo-suíço.
O plano da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que venderia ações de competições da Fifa e ligada ao entorno do presidente Donald Trump, foi o estopim para uma briga que pareceu ameaçar a continuidade de Infantino. A Uefa capitaneou a oposição, tendo ao seu lado a Concacaf e a AFC.
Embora as confederações não tenham direito a voto no Congresso da Fifa, elas deliberam posicionamentos, manifestações e agem em bloco. As entidades da América do Sul, África e Oceania mantiveram-se ao lado de Infantino.

Essa divisão não foi absoluta. A Nova Zelândia, por exemplo, se alinhou à Uefa. Nações caribenhas se opuseram à Concacaf. Na Ásia, o movimento foi gradual até que a AFC falasse com todas as palavras o que suas filiadas já manifestavam.
“Ao olharmos para um futuro mais promissor e competitivo, a nossa solidariedade continua a ser a nossa maior força. Estamos prontos para avançar, unidos em apoio ao presidente da Fifa, Gianni Infantino”, falou o presidente da AFC, o xeque Salman bin Ibrahim Al Khalifa, no Congresso Extraordinário da entidade na última sexta-feira, 23.
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Antes disso, Infantino já havia angariado o apoio oficial da Arábia Saudita, sede da Copa de 2034 e aliada histórica de sua gestão. Butão, Catar, Filipinas, Iraque, Indonésia, Líbano, Mongólia, Sri Lanka e Vietnã também tinham se manifestado nesse sentido. Mais recentemente, o presidente posou ainda ao lado de dirigentes das associações do Japão e de Bangladesh.
“Estou profundamente grato pelo caloroso apoio, confiança e unidade expressos pelo xeque Salman e pela comunidade de futebol asiática, à medida que continuamos a trabalhar de mãos dadas para fazer crescer o nosso jogo em todos os cantos do continente”, escreveu Infantino após o Congresso da AFC.
Caminho aberto para reeleição de Infantino
Ainda que mantenham oposição, Uefa e Concacaf não conseguiram mobilizar uma candidatura para fazer frente a Infantino. Victor Montagliani, presidente da entidade das Américas do Norte, Central e Caribe, foi cotado, mas indicou permanecer no seu atual cargo.
Aleksander Ceferin, da Uefa, não cogitou lançar uma candidatura. Ainda assim, o dirigente esloveno manteve o tom ácido em manifestações públicas sobre a Fifa, cobrando reformas. Na reunião do Conselho da Fifa, em 15 de outubro, Infantino ouviu críticas sobre falta de transparência no projeto da FFE e reiterou o pedido de desculpas.
Um sinal claro de crise amenizada foi o plano, elaborado coletivamente, para distribuir entre as associações parte das reservas da Fifa. A entidade projeta repassar US$ 6 bilhões (R$ 30,16 bilhões) para o desenvolvimento do futebol no quadriênio 2027-2030. A quantia é mais do que o dobro do que estava previsto para o período.
Cada uma das associações-membro receberia US$ 25 milhões (R$ 125,68 milhões) neste planejamento. O previsto para os próximos quatro anos era de US$ 10 milhões (R$ 50,27 milhões) a cada, além de US$ 99 milhões (R$ 497,68 milhões) por confederação continental.
O prazo para inscrição de candidaturas é 28 de novembro. Cada uma precisa ter pelo menos o apoio formal de cinco associações. O pleito será em 28 de março, em Rabat, no Marrocos.
Se a eleição presidencial da Fifa tiver dois postulantes, é necessária maioria simples (50% + 1) entre os votos válidos (106). No caso de três ou mais candidatos, é preciso obter dois terços dos votos válidos (140) em um primeiro turno. Caso contrário, quem tiver o menor percentual de votos é eliminado até que restem dois, que disputam por maioria simples.


