Palmeiras e Fluminense têm Mundial? Fifa dá margem a nova interpretação em material oficial

Entidade publica material e ‘nivela’ conquistas de Intercontinentais e Mundiais às Copas Rio, Suruga e Afro-Asiática

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Por Redação
Atualização:

O Palmeiras tem Mundial? Conheça o dossiê criado sobre a Copa Rio de 1951 | EXPLICA AÍ, RIZZO

Marcel Rizzo conta a história da Copa Rio de 1951, o Mundial do Palmeiras, e os bastidores da disputa por sua oficialização pela Fifa.

A polêmica sobre o título mundial de Palmeiras e Fluminense ganhou um novo capítulo nos Estados Unidos. A Fifa divulgou em seu material oficial de apoio sobre o Mundial de Clubes de 2025 a jornalistas que tanto o time alviverde quanto a equipe tricolor possuem um título “interconfederações”.

Troféu da Copa Rio de 1951, conquistada pelo Palmeiras, no Maracanã. Foto: Valeria Goncalvez/AE

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A Fifa indica, no mesmo documento, que considera torneios “interconfederações” uma “competição de copa disputada por clubes de pelo menos duas confederações diferentes competindo entre si”.

Neste item do material (“copas interconfederações”), a entidade máxima soma, por exemplo, troféus conquistados no antigo e repaginado formato de Intercontinental (1960-2004; 2024) e nos Mundiais (2000; 2005-2023). Dessa forma, o Real Madrid tem nove títulos (1960, 1998, 2002, 2014, 2016, 2017, 2018, 2022 e 2024).

Além de Palmeiras e Fluminense, também constam com um título “interconfederações” os africanos do Al-Ahly, do Egito, e do Espérance, da Tunísia, e o Urawa Reds, do Japão. As equipes da África faturaram a Copa Afro-Asiática nos anos de 1988 e 1995, respectivamente. Já no caso dos japoneses é considerado o título da Copa Suruga, vencido em jogo único contra a Chapecoense (campeã da Copa Sul-Americana) em 2017.

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Palmeiras e Fluminense, por sua vez, reivindicam as conquistas das Copas Rio de 1951 e 1952 como títulos mundiais. A equipe alviverde bateu o Juventus de Turim no Maracanã, enquanto o clube das Laranjeiras superou o Corinthians no mesmo estádio no ano seguinte.

Material oficial da Fifa traz Palmeiras como campeão de 'Copa interconfederações'. Foto: Fifa

Diferentemente dos torneios vencidos por africanos e japoneses que contavam com a participação de campeões continentais, a Copa Rio não tinha representantes com peso continental, porque àquela altura ainda não haviam sido criadas as Copas Libertadores e Champions League. Nem mesmo um torneio nacional existia no Brasil. Foram convidados campeões nacionais vindos da Europa e América do Sul, além dos campeões paulista e carioca.

Material oficial da Fifa indica que o Fluminense também ganhou uma 'copa interconfederações'. Foto: Fifa

Em 2024, a Fifa publicou uma lista atualizada de campeões mundiais em que não constavam Palmeiras e Fluminense, apenas os times que ergueram os troféus do Intercontinental e do Mundial.

O material publicado nesta quarta, portanto, não significa que a Fifa tenha reconhecido Palmeira, Fluminense e os demais clubes como campeões mundiais. Para isso acontecer, demandaria uma decisão do conselho da entidade, tal qual a publicada em 2017, que reconheceu os vencedores do Intercontinental de 1960 a 2004 como campeões mundiais.

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Nos anos 2000, dirigentes do Palmeiras montaram um dossiê e pediram à Fifa o reconhecimento da Copa Rio de 1951 como mundial. A entidade respondeu positivamente à solicitação do clube, considerando o torneio o primeiro de caráter global. O colunista Marcel Rizzo contou bastidores da situação.

Em sua cobertura à época, o Estadão afirmou que o torneio de 1951 não era “nem Mundial, nem dos campeões”. “É aconselhável, além de honesto, que se mude a denominação do certame, mesmo porque, pelo simples exame da relação dos concorrentes, verifica-se que ele não é dos Campeões e muito menos Mundial...”, escreveu o jornal.

O Estadão, porém, sublinhou que havia um exagero no dimensionamento do título conquistado pelo Palmeiras. “Feito de muito valor, repetimos, mas que, nem por isso, justifica os excessos ridículos que andam por aí, entre os quais, este de mandar a bola do jogo para um museu é, para usarmos de expressão popular, de tirar o chapéu...”.