Marta: 'Copa do Mundo no Brasil será um marco na história do futebol feminino'
Lenda do futebol feminino brasileiro falou sobre a Copa de 2027, que será sediada no País. Crédito: Estadão
Quanto custa para manter um time de futebol feminino na elite brasileira? Em 2025, quantia inferior a R$ 10 milhões. Esse é o valor apurado por Outfield e Dibradoras, em relatório sobre a modalidade, publicado na quarta-feira desta semana.
Dois clubes superaram essa marca e ficaram entre R$ 10 milhões e R$ 15 milhões anuais, Cruzeiro e Santos. Outros dois superaram a quantia de R$ 20 milhões gastos na temporada, Ferroviária e Palmeiras. Dados do Corinthians não foram revelados.
Em 2025, a projeção do Palmeiras é arrecadar R$ 1,7 bilhão em todas as suas linhas de negócio, que incluem o futebol masculino e o clube social. Portanto, mesmo o clube de maior investimento no feminino direciona 1,2% de seu faturamento para a modalidade. O cálculo não foi feito pelos responsáveis pelo estudo, e sim pelo Sport Insider, apenas para dimensionar o custo da equipe feminina no cenário completo.
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Fica evidente a correlação, agora no futebol feminino, entre custo e resultado esportivo. Ferroviária e Palmeiras foram finalistas da Copa do Brasil em 2025, com o título para as palestrinas. O Corinthians venceu esta edição do Campeonato Brasileiro.
Ainda não é possível mensurar a sustentabilidade financeira desses times, pois a maioria não publica em suas demonstrações financeiras os números do feminino separados — fato apontado pelos autores do estudo como um desafio a superar.
No entanto, há vários sinais de que a modalidade tem começado a abrir receitas antes travadas. Por exemplo: clubes brasileiros têm “exportado” jogadoras para ligas mais ricas com mais frequência. Amanda Gutierres teve seus direitos vendidos pelo Palmeiras para o Boston Legacy, dos Estados Unidos, por 937 mil euros. E a transferência também beneficiou o Santos, por meio do mecanismo de solidariedade.
A arrecadação com venda de ingressos aumentou nos últimos anos, de maneira geral. Foram obtidos R$ 2,3 milhões com bilheterias em 2023, no Campeonato Brasileiro, cifra elevada para R$ 3,2 milhões na temporada de 2025.
Já os direitos de transmissão aumentaram de R$ 2,8 milhões em 2023 para R$ 9,9 milhões em 2025, no caso do Brasileirão A1. A Copa do Brasil, hoje, recompensa os times em R$ 6,5 milhões — divididos fase a fase, assim como no masculino.
Por fim, tratando-se de patrocínios, o Ferroviária tem hoje 82% de sua receita total atrelada aos acordos comerciais, que incluem exposição da marcas no uniforme e em outras propriedades. Foram R$ 11,6 milhões obtidos pelo clube do interior de São Paulo em 2024. Não é possível checar outros casos, por falta de dados.
O aumento gradual de todas essas receitas aproxima o futebol feminino da sustentabilidade financeira, embora o cenário atual, ainda que pouco transparente, demonstre que ainda é necessário o subsídio da modalidade por cada entidade.
“É essencial que o feminino seja encarado não como obrigação regulatória [quando federações exigem a existência do time feminino para que o masculino dispute competições] ou centro de custo, mas como vetor de valor. O pontapé inicial já foi dado. O Brasil tem público, estrutura emergente e casos de sucesso. O que falta, agora, é convergência”, escreveram os responsáveis pelo material em seu desfecho.
- Baixe aqui o relatório de futebol feminino brasileiro em 2025.
A Outfield é uma gestora de investimentos, com investimentos em empresas ligadas ao esporte, entre elas o Coritiba SAF. A Dibradoras é um canal de mídia focado em esportes femininos. O material tem os patrocínios de Guaraná Antarctica e Centauro.


