O que estão compartilhando: vídeo em que médico afirma que um estudo conduzido na Tchecoslováquia mostraria que a fertilidade de mulheres vacinadas contra a covid-19 diminuiu 33%. Ele diz que abafaram tratamentos que funcionavam contra a doença, inflacionaram números de casos e espalharam medo, indicando o uso de máscaras.
O Estadão Verifica checou e concluiu que: é falso. As evidências científicas não indicam que a vacinação contra a covid-19 reduz a fertilidade, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. O Ministério da Saúde também afirma que os imunizantes não afetam a fertilidade de homens e mulheres. Estudos nacionais e internacionais mostram que a vacinação é segura para quem planeja engravidar, grávidas e lactantes. O vídeo analisado cita uma pesquisa da Tchecoslováquia, que não foi encontrada. O país não existe desde 1993.
O Verifica tentou contato com o médico responsável pelo post analisado, mas não recebeu retorno até a publicação da checagem.

Saiba mais: O médico Roberto Zeballos publicou em seu perfil no Instagram um vídeo afirmando que um estudo da Tchecoslováquia mostra que mulheres vacinadas contra a covid-19 tiveram redução de 33% na fertilidade em comparação às não vacinadas. Porém, não foram encontradas pesquisas ou evidências científicas que confirmem essa alegação.
O país em que teria sido conduzido o suposto estudo não existe mais. A Tchecoslováquia foi dissolvida no ano de 1993 em duas nações independentes, a República Tcheca e Eslováquia. O Verifica tentou encontrar estudos dos dois países, mas não encontrou nenhum resultado. A reportagem pediu que Zeballos informasse a que estudo se referia, mas não teve resposta.
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O site do Ministério da Saúde da Tcheca indica que a vacina é recomendada para pessoas que estejam tentando engravidar, grávidas e lactantes. A autoridade de saúde da Eslováquia também afirmou que os imunizantes não afetam a fertilidade de mulheres ou homens.
Ambos os países fazem parte da União Europeia e seguem as diretrizes da Agência Europeia de Medicamentos (EMA, em inglês), especializada na avaliação científica e monitoramento de vacinas. O órgão de saúde esclareceu que os imunizantes contra a covid não impactam a reprodução e a fertilidade, indicando a segurança deles antes e durante a gravidez.
Vacinas não reduzem fertilidade
A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Helena Von Eye Corleta, explicou que a literatura médica atual não fornece evidências de que a vacinação contra a covid-19 comprometa a capacidade reprodutiva de mulheres.
“Análises conduzidas por cientistas não encontraram provas de que os imunizantes possam comprometer a fertilidade de homens ou mulheres”, disse. “Os estudos conduzidos até o momento também mostram que a vacinação não está associada a uma diminuição na fecundabilidade, que é a probabilidade de concepção por ciclo”.
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A pesquisadora indicou uma revisão sistemática, publicada na Revista Europeia de Saúde Pública em 2022, que avaliou 20 estudos científicos sobre o impacto das vacinas na fertilidade. O artigo evidencia que as análises não encontraram diferenças significativas nas taxas de gravidez entre vacinadas e não vacinadas.
Helena ainda explicou que estudos não encontraram variação nos resultados de mulheres que tomaram ou não a vacina e foram submetidas à reprodução assistida – um conjunto de técnicas que auxiliam na fertilização feita em laboratório.
De acordo com a ginecologista Rosiane Mattar, diretora científica da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp), não há nenhuma comprovação de que haja diferença na taxa de fertilidade em pessoas vacinadas.
Segundo a médica, houve um aumento nos índices de infertilidade no mundo nos últimos anos, como mostrou um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), porém não há evidências que demonstrem a relação com as vacinas.
Ambas as médicas indicam que a vacinação é segura e indicada para quem está planejando engravidar, grávidas ou lactantes. O Ministério da Saúde também recomenda que os imunizantes devem ser tomados no pré ou pós-parto, a fim de evitar formas graves da doença ou complicações em bebês em decorrência do coronavírus.

Médico mente sobre uso de máscaras e notificação de casos
O vídeo do médico ainda compartilha mentiras sobre outros assuntos relacionados à covid-19. Ele diz que o uso de máscaras durante a pandemia foi ineficaz, porém cientistas e autoridades de saúde internacionais afirmam que há evidências que a medida ajudou a reduzir a transmissão do vírus.
Também não é verdadeiro que a proteína spike seja responsável pelas complicações da covid. Como publicou o Verifica, os imunizantes que usam a tecnologia RNA mensageiro (RNA) ensinam o corpo a produzir a proteína, ajudando o sistema imunológico a combater o coronavírus. Estudos demonstram que este tipo de vacina é eficaz e seguro.
Por fim, não há evidências de que os números de casos e mortes devido a covid tenham sido inflacionados, como afirma o imunologista. O Painel Coronavírus do governo brasileiro indica que houveram 39 milhões de casos no País e mais de 716 mil mortes devido ao coronavírus desde o início da pandemia.
Como lidar com posts do tipo: A publicação analisada faz afirmações sobre a fertilidade de mulheres e as vacinas citando um suposto estudo da Tchecoslováquia, mas não fornece nenhuma informação sobre como pessoas podem consultar a pesquisa. Procurando por comunicados do Ministério da Saúde e autoridades internacionais, é possível checar que não há comprovação da relação. O médico foi checado em outras ocasiões pelo Verifica devido ao compartilhamento de informações enganosas.








