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BRASÍLIA - O governo Luiz Inácio Lula da Silva aposta em uma série de viagens do presidente à Ásia como forma de sinalizar ao mundo que o País vai buscar alternativas para fugir da guerra comercial entre China e Estados Unidos e da batalha tarifária iniciada pelo presidente americano Donald Trump.
Segundo uma fonte do governo, a busca de parceiros alternativos aos já tradicionais se tornou “fundamental” no contexto de conflitos e da guerra comercial. Essa autoridade diz que o governo quer deixar claro aos atores relevantes que o Brasil “sempre vai buscar ter opções” e não quer alinhamento total, nem “dependência” dos seus dois maiores parceiros econômicos.

A estratégia da diplomacia presidencial a ser posta em marcha neste ano vem sendo planejada e adaptada a um cenário volátil. Os primeiros passos começam agora, no fim de março. Além das tensões geopolíticas e econômicas, o País também quer fortalecer sua atuação no campo da diplomacia climática. Os pilares da inserção internacional do Brasil serão a realização da Cúpula do Brics e a COP-30, a conferência sobre mudança do clima das Nações Unidas.
O presidente vai viajar ao Japão e ao Vietnã para reforçar laços empresariais. Até agora, Lula saiu do Brasil apenas para a posse do presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, momento em que também costurou um acordo político com a esquerda latino-americana, para a eleição da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Ao todo, até seis países asiáticos estão na rota de Lula: Japão, Vietnã, China, Malásia, Indonésia e Índia. A Presidência da República já trabalha com o planejamento das visitas de Lula a quase todos - exceto a Índia.
Lula chegou a dizer no ano passado que pretendia visitar novamente o país mais populoso do mundo, onde esteve em 2023 para a Cúpula do G-20, e levar consigo uma delegação empresarial para explorar oportunidades nos setores de tecnologia, medicamentos e energia.
No entanto, existem dificuldades em encaixar agenda dos líderes, e o mais provável, no momento, é que o premiê indiano, Narendra Modi, visite Lula em julho, quando deve participar da Cúpula do Brics, no Rio.
Além de Japão e Vietnã, primeiras paradas na Ásia entre 24 e 29 de março, Lula deve ir à China como convidado para o Fórum China-Celac, por volta de 12 de maio, em Pequim. Antes, ele foi convidado por Vladimir Putin e deve comparecer à celebração do Dia da Vitória, em 9 de maio, em Moscou, Rússia.
No segundo semestre, o presidente avalia participar da Cúpula da ASEAN - bloco econômico do sudeste asiático - em outubro, na Malásia, e em seguida visitar a Indonésia, um dos maiores detentores de florestas tropicais do mundo e parceiro do Brasil em iniciativas para proteção desses biomas na COP-30.
Uma fonte do governo familiarizada com o planejamento disse que cada passo do presidente é lido pelas demais potências e que o País não deseja ficar na esfera de influência - muito menos “dependente” - de nenhum ator global, seja a China ou os EUA. A visão é que o País precisa reforçar uma postura universalista.



