Navalni pode estar sendo envenenado lentamente, diz porta-voz do opositor preso na Rússia

Segundo Kira Yarmish, político sofre de doença desconhecida que não está sendo tratada; Kremlin diz que não estava acompanhando a situação

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Por Redação
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Alexei Navalni, o líder da oposição mais proeminente da Rússia, está lutando contra uma doença misteriosa na prisão e emagreceu 8 kg em pouco mais de duas semanas. Sua porta-voz, Kira Yarmysh, afirma que ele pode estar ingerindo algum veneno de ação lenta.

“Não excluímos que neste exato momento Alexei Navalni esteja sendo lentamente envenenado, sendo morto lentamente para atrair menos atenção”, disse Yarmysh em um post no Twitter.

“Ele está sendo mantido em uma cela de punição com dor aguda e sem ajuda médica”, denuncia ela.

Principal opositor do presidente da Rússia, Vladimir Putin, Alexei Navalni participa de protesto em Moscou Foto: Shamil Zhumatov / Reuters

Kremlin desconhece estado de saúde de Navalni

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Durante a coletiva de imprensa diária do porta-voz do Kremlin, o governo russo confirmou que não estava acompanhando de perto a situação de saúde de Navalni.

Um ex-advogado que ganhou destaque há mais de uma década por satirizar a elite do presidente Vladimir Putin e expressar alegações de corrupção em grande escala, Navalni há muito prevê que a Rússia pode enfrentar uma turbulência política.

Em 2020, ele sobreviveu a uma aparente tentativa de envenenamento, durante um voo na Sibéria, com o que testes de laboratório ocidentais determinaram ser um agente nervoso. A Rússia nega que tenha tentado matá-lo.

Navalni foi tratado por envenenamento na Alemanha, mas voltou voluntariamente para a Rússia em 2021, onde foi detido na chegada e encarcerado em um caso de fraude que ele chama de motivação política.

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Yarmysh disse que, devido à doença misteriosa de Navalni, os serviços de emergência foram chamados durante a noite de sexta, 7, para sábado, 8, para a colônia penal IK-6 de segurança máxima em Melekhovo, a 250 km de Moscou, onde ele está preso há dois anos.

O advogado de Navalni, Vadim Kobzev, apontou que o ativista está doente e sem atendimento médico. A situação é muito estranha, segundo o advogado.

“De acordo com seu registro médico, ele perdeu oito quilos nos últimos 15 dias”, disse o defensor. Segundo ele, os pacotes de remédios enviados pela mãe de Navalni estão sendo devolvidos.

Kobzev indicou que não descarta a possibilidade de as autoridades estarem permitindo que a saúde do opositor se deteriore “progressivamente”. “Exigiremos exames toxicológicos e radiológicos”, afirmou.

No início do ano, Alexei Navalni disse que estava sofrendo com sintomas gripais e não tinha acesso adequado a atenção médica. Seus simpatizantes denunciaram uma tentativa do governo da Rússia de “matá-lo aos poucos”.

Quem é Alexei Navalni

Alexei Navalni é o principal opositor de Vladimir Putin desde 2012, quando liderou uma série de protestos contra o presidente russo.

Em agosto de 2020, ele passou mal durante um voo da Sibéria para Moscou. Ele foi transferido da Rússia para a Alemanha no dia 22 do mesmo mês.

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De acordo com análises de sangue e urina colhidas pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq), foram identificados biomarcadores com “características estruturais similares às dos químicos tóxicos pertencentes” ao grupo Novichok, um agente nervoso desenvolvido na antiga União Soviética. Segundo os assessores, ele teria sido envenenado ao beber água em um hotel.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rejeitou uma recente investigação divulgada por vários meios de comunicação, entre eles o site Bellingcat, a rede CNN e Der Spiegel, a qual atribui a responsabilidade do envenenamento ao FSB, os serviços secretos russos, herdeiros da KGB.

De acordo com a investigação, baseada na análise de dados por telefone e de vazamento de informação on-line na Rússia, agentes do FSB, especializados em armas químicas, seguiram o opositor desde 2017.

Eles também estiveram presentes na cidade siberiana de Tomsk, no dia 20 de agosto, onde aconteceu o envenenamento, segundo a investigação. A matéria não estabelece, porém, qualquer contato direto entre esses agentes e Navalni, nem qualquer prova de que se tenha passado para a ação, ou de alguma ordem dada nesse sentido. / AFP e AP

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