O que é ‘Italian Brainrot’, meme da geração Alpha de personagens absurdos gerados por IA

Fenômeno viralizado no TikTok mistura IA e estética saturada para criar personagens absurdos que viralizam entre os mais jovens

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Foto do autor Alice Labate

Um tubarão de três pernas calçando tênis Nike, um crocodilo-bombardeiro militar e uma bailarina com uma xícara de cappuccino no lugar da cabeça. Esses são alguns dos protagonistas do Italian Brainrot, tendência que mistura inteligência artificial (IA), humor absurdo e estética saturada para criar memes que conquistaram a geração Alpha (nascidos a partir de 2012) nas redes sociais.

O Italian Brainrot surgiu no início deste ano como uma brincadeira entre usuários do TikTok, mas rapidamente se espalhou por outras plataformas como Instagram, X (ex-Twitter) e WhatsApp. A tendência se caracteriza por vídeos curtos com personagens gerados por IA, narrativas sem sentido e áudios em “italiano” distorcido.

Italian Brainrot entenda o meme inusitado que conquistou a geração Alpha com tubarões e cappuccinos Foto: Reprodução/TikTok

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“Essa tendência começou como uma brincadeira que surgiu conversando com a IA do WhatsApp, a Meta AI, e aí começou essa coisa de tentar criar personagens bizarros”, explica João Finamor, professor de marketing digital da ESPM.

A estética exagerada e o humor sem sentido do Italian Brainrot refletem o gosto das gerações mais jovens por conteúdos criativos e sem limitações. “Essa geração, a Alpha e uma parte da geração Z, são as gerações criadoras. Eles vêm do Minecraft, Fortnite e entre outros jogos, que criam coisas”, destaca Finamor.

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O que é o Italian Brainrot?

O Italian Brainrot é uma série de memes surrealistas que combinam imagens malucas geradas por IA com narrações em “italiano” distorcido. Os vídeos apresentam personagens híbridos, como animais com objetos do cotidiano, comidas ou elementos fantasiosos, em situações sem sentido.

O termo “brain rot”, que significa “podridão cerebral”, foi escolhido como palavra do ano pela Universidade de Oxford em 2024, referindo-se ao consumo excessivo de conteúdos online que não exigem esforço cognitivo significativo para serem compreendidos. No contexto do meme, o termo é usado de forma irônica para descrever o conteúdo propositalmente absurdo e despretensioso.

Entre os personagens mais populares estão:

  • Tralalero Tralala: um tubarão de três pernas com tênis Nike azuis, frequentemente retratado pulando ou lutando contra Bombardiro Crocodilo.
  • Bombardiro Crocodilo: um híbrido de crocodilo e bombardeiro militar.
  • Ballerina Cappuccina: uma bailarina com uma xícara de cappuccino no lugar da cabeça, vestindo um tutu e sapatilhas de balé.
  • Tung Tung Tung Sahur: um boneco de madeira antropomórfico segurando um taco de beisebol, com nome que faz referência ao som de tambores usado na Indonésia para sinalizar o início do Suhur.
  • Lirili Larila: um híbrido entre um cacto e um elefante, usando sandálias.

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Esses vídeos são compartilhados principalmente no TikTok, mas também circulam nas outras redes sociais. “A tendência é muito forte no TikTok e no X, e esse tipo de meme normalmente começa com as gerações mais jovens”, explica João Finamor. “Ele surge com força onde elas estão mais presentes, hoje, no TikTok, depois migra para o X e, por fim, chega ao WhatsApp. A gente costuma dizer que, quando um meme chega ao WhatsApp, é porque ele atingiu sua maturidade de compartilhamento”.

O algoritmo das redes sociais também contribui para a viralização desses memes. “Principalmente o algoritmo do TikTok e do próprio Instagram. Eles têm aquela questão de categorização de conteúdo relevante”, diz Finamor. “E um dos critérios de relevância é justamente replicações do mesmo conteúdo”.

Além das redes sociais, marcas como Duolingo, Samsung e Ryanair já utilizaram elementos do Italian Brainrot em suas campanhas para se conectar com o público jovem. “No marketing, já tem o “Frigo Camelo” divulgando geladeira da Samsung e o “Tung Tung Tung Sahur” pegando voo da Ryanair”, conta Alexandre Inagaki, especialista em redes sociais.

Por que gerações mais jovens se atraem por esse tipo de conteúdo?

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O apelo do Italian Brainrot entre as gerações Alpha e Z está ligado à sua familiaridade com a criação de conteúdo digital e ao gosto por humor absurdo. “Essa geração, a Alpha e uma parte da Gen Z, são as gerações criadoras, né. Eles vêm de Minecraft, Fortnite e entre outros jogos, que criam coisas”, destaca Finamor.

Além disso, o conteúdo inusitado e inacreditável desses memes ativa gatilhos de compartilhamento nas redes sociais. “Diversos acadêmicos falam sobre os gatilhos que levam alguém a compartilhar um conteúdo”, explica Finamor. “O primeiro deles é o emocional, aquilo que gera empatia, raiva, felicidade. Mas existe uma segunda camada, que é o fator do incrível, do inusitado, do inacreditável. E é aí que entra exatamente essa tendência: ela é compartilhada porque é absurda, inesperada”.

“Esses memes italianos seguem a típica estética brainrot: vídeos com conteúdo bizarramente nonsense, humor anárquico e edição tosca, talhados para quem já está habituado a consumir conteúdos rápidos e frenéticos (e que ainda assim costumam ser visualizados com áudio acelerado por usuários cuja capacidade de atenção é cada vez menor)”, afirma Alexandre Inagaki.

Apesar da trend ter começado com o Meta AI, no WhatsApp, os usuários vem usando mais ferramentas para criar os memes. “Entre as plataformas mais utilizada estão ChatGPT, Canva AI, OpenArt, Suno… Hoje em dia tem muitas ferramentas, inclusive na versão gratuita, que podem ser usadas para gerar imagens, áudios e animações com esses personagens”, diz o especialista em redes sociais.

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Apesar de seu sucesso, os especialistas acreditam que o Italian Brainrot é uma tendência passageira. “Toda tendência na internet tem prazo de validade fugaz. Mas o fenômeno do Italian Brainrot é um dos primeiros que foram catapultados pela popularização das ferramentas de IA, que é basicamente o que diferencia esses memes italianos de tantos outros que já habitam a internet há mais de uma década”, afirma Alexandre Inagaki.

“Ela é realmente muito passageira. Embora haja essa apropriação, que é uma característica do meme e acaba dando mais força”, afirma. “A tendência daqui pra frente são os memes e conteúdos gerados por IA”, completa João Finamor.