Apple rejeita proposta para encerrar iniciativas de diversidade e inclusão na empresa

Investidores decidiram barrar a proposta e seguiram a sugestão do CEO Tim Cook; eles também votaram a remuneração dos executivos da empresa

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Foto do autor João Pedro Adania
Por João Pedro Adania

A tendência era clara: gigantes da tecnologia, como Meta e Amazon, acabaram com suas políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI). E acionistas externos da Apple queriam seguir o exemplo.

Para isso se concretizar, a proposta tinha que ser votada durante a reunião anual, que aconteceu na última quinta-feira, 20. Na ocasião, o board votou contra o fim dessas políticas. Além disso, os investidores externos pediram que a Apple elaborasse um relatório para avaliar possíveis riscos relacionados ao uso da inteligência artificial (IA) em seus negócios. Essa proposta também foi rejeitada.

NEW YORK CITY, USA - MARCH 15, 2020: Apple store logo at Apple Fifth Avenue in New York City, NY, USA Foto: Sergii Figurnyi/Adobe Stock

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Investidores externos são aqueles que possuem ações, mas não fazem parte da administração da empresa.

O CEO Tim Cook e a própria companhia já haviam recomendado aos investidores votar contra as propostas. Outra medida colocada em pauta foi a transparência sobre as decisões da gigante relacionadas a materiais de abuso sexual infantil e uma medida sobre práticas de doações filantrópicas.

Programas de diversidade e inclusão são um conjunto de medidas para fazer com que pessoas de todos os contextos – independente de etnia, classe, sexualidade e gênero – se sintam apoiadas e incluídas no local de trabalho.

Embora nunca tenha sido citado nominalmente, um investidor era responsável pela proposta de acabar com as políticas DEI. O National Center for Public Policy Research (NCPPR) é um grupo conservador que usou seu direito de acionista para apresentar a proposta de interromper os programas.

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Quando a proposta surgiu, o conselho da gigante afirmou que ela era “desnecessária, pois a Apple já possui um programa de conformidade bem estabelecido, e a proposta tenta, de maneira inadequada, restringir a capacidade da Apple de gerenciar suas operações empresariais ordinárias, equipes e estratégias de negócio”.

No documento onde o voto contrário à proposta era sugerido, a liderança da empresa dizia que seguia a lei e cumpre os regulamentos de não discriminação.

Os acionistas reelegeram o conselho de administração da fabricante do iPhone, ratificaram o acordo com um escritório de contabilidade externo e aprovaram a remuneração dos executivos da empresa. No ano passado, Cook recebeu aumento salarial de 18%, que totaliza US$ 74,6 milhões – dividido em US$ 3 milhões de salário base, US$ 58,1 milhões em ações e cerca de 13,5 milhões em compensações extras.

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Tim Cook, CEO da Apple, recebeu aumento salarial de 18%, no ano passado Foto: Jamie Squire/AFP

Como na maioria dos anos, os acionistas votaram alinhados às recomendações da Apple. A última vez que eles foram contra o conselho da gigante foi em 2022, quando aprovaram propostas relacionadas a clausulas de sigilo em contratos de trabalho e auditorias de direitos civis.