A fantástica fuga de Schumann

MEMÓRIAS DA FRONTEIRA

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

02 Novembro 2009 | 00h00

A fuga do soldado Conrad Schumann, de Berlim Oriental para Berlim Ocidental, entrou para a história como uma das fotos mais simbólicas da Guerra Fria. A imagem - do fotógrafo alemão Peter Leibnig -, feita dois dias depois de o líder soviético, Nikita Kruchev, ter ordenado a construção do muro, mostra o momento em que o soldado pulava a cerca de arame farpado que dividia a cidade.

Na época com 19 anos, Schumann passou por três meses de treinamento em Dresden. A iniciativa de ajudar na vigilância da fronteira em Berlim, na Bernauer Strasse, foi do próprio jovem. Com a cabeça baixa, usando capacete e levando uma submetralhadora, tomou impulso e correu contra a cerca. Ele largou a arma assim que cruzou a fronteira, pedindo ajuda a uma viatura policial.

Ele disse que decidiu fugir depois que viu uma menina que estava visitando os avós no leste ter sido barrada por soldados na hora de voltar para o oeste. "Apesar de os pais da garotinha estarem esperando por ela a poucos metros da cerca, ela foi enviada de volta para o leste", disse Schumann.

"Às vezes sinto como se estivesse sonhando porque depois da triste vida na Alemanha Oriental tudo isso parece tão fora da realidade, como um conto de fadas", afirmou Schumann à agência Associated Press, em 1963, dois anos depois de ter escapado da RDA. Vítima de depressão, ele se suicidou em junho de 1998 no jardim de sua casa, na Baviera.

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