Alertas de degradação na Amazônia aumentam 26%

Índice refere-se ao período de agosto de 2012 a fevereiro; medição é feita com base em imagens de satélite

VANNILDO MENDES , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2013 | 02h03

De agosto de 2012 a fevereiro deste ano, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) registrou um aumento de 26,8% no número de alertas de degradação ambiental na floresta amazônica, em razão de incêndios, retirada seletiva de árvores ou de corte raso.

A medição foi feita com base no sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que funciona com base em imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os Estados do Mato Grosso e Pará lideraram o ranking, concentrando cerca de 70% desses alertas.

Os dados foram divulgados em entrevista ontem pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi. Ele disse que o sistema permitiu a apreensão recorde de madeira na região, por meio da Operação Onda Verde, e subsidiou mudanças radicais na fiscalização, que agora é feita de forma mais ágil nos 365 dias do ano, inclusive na estação das chuvas, pegando os desmatadores de surpresa.

Desmate. Só no Pará foram apreendidos 22 mil metros cúbicos de madeira em fevereiro, 50% mais do que no ano passado. Desse total, 16 mil metros cúbicos foram apreendidos nas regiões de Anapu e Aruará, no sudoeste do Pará.

Apesar do crescimento dos alertas em relação ao ano anterior, o Ibama acredita que não houve aumento de desmatamento.

"Esperamos que tenha havido estagnação, ou mesmo redução na taxa de desmatamento, que será conhecida em julho", disse o diretor de Proteção Ambiental do órgão, Luciano Meneses Evaristo. Essa taxa é calculada com base no sistema Prodes, divulgado pelo Inpe anualmente. Com imagens de alta resolução, ele mede o corte raso e mostra o quanto da floresta foi de fato destruída pelos devastadores.

Já o Deter, segundo Evaristo, traz um componente de degradação florestal que pode se transformar ou não em desmatamento. "Só depois que o Inpe fizer o monitoramento da imagem de alta resolução, vai ficar claro se aquela degradação foi para o desmatamento, com corte raso, ou se foi causada, por exemplo, por queimadas ou incêndios, que ocorrem de forma cíclica no Brasil, mas que após as chuvas a vegetação volta a se recompor", explicou.

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