Antivirais podem evitar mortes por vírus H1N1, diz OMS

Medicamentos antivirais são capazes de evitar mortes pela gripe H1N1 e devem ser receitados rapidamente a grávidas, crianças pequenas e pessoas com problemas médicos subjacentes que ficarem doentes, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) na quinta-feira.

LAURA MACINNIS, REUTERS

12 de novembro de 2009 | 14h42

Ao anunciar uma mudança na diretriz para os médicos, a agência de saúde da Organização das Nações Unidas (ONU) disse que os remédios devem ser ministrados antes mesmo de ficar pronto o resultado do teste que confirma o vírus pandêmico.

"Nós atualizamos as nossas diretrizes clínicas para enfatizar que a busca precoce de atendimento médico é capaz de salvar vidas", disse Nikki Shindo, do programa global de influenza da OMS, a jornalistas numa teleconferência.

A cepa H1N1, declarada pandemia global pela OMS em junho, pode causar pneumonia grave em pessoas saudáveis. Ela já matou mais de 6.000 pessoas e se disseminou por 199 países desde que foi descoberta na América do Norte no primeiro semestre deste ano.

Grávidas, crianças com menos de 2 anos e pessoas com problemas respiratórios e outras doenças estão sob risco maior para os efeitos graves da gripe suína, que pode se desenvolver em uma semana após a infecção.

"A janela de oportunidade é muito pequena para reverter a progressão da doença", afirmou Shindo. "O medicamento precisa ser administrado antes que o vírus destrua os pulmões".

As novas diretrizes clínicas também recomendam que as pessoas fora do grupo de risco que apresentem "sintomas com piora acelerada ou persistente", tais como problemas para respirar ou febre alta por mais de três dias, tomem os antivirais.

Eles devem ser receitados por um médico e as pessoas que têm apenas um resfriado normal não precisam tomá-los, ressaltou Shindo.

O Tamiflu -- antiviral comercializado pela Roche Holding, da Suíça, e cujo nome genérico é oseltamivir -- é a droga de linha de frente recomendada pela OMS como forma de tratar e desacelerar a progressão dos sintomas da gripe.

Outras empresas, incluindo a Cipla Ltd, da Índia, produzem versões genéricas do Tamiflu. O vírus não mostrou muita resistência à droga em parte porque a nova cepa não apresentou mutação nem se modificou à medida que se propagou pelo mundo.

Shindo afirmou que o vírus é "surpreendentemente estável", refletindo o fato de que pode romper com facilidade o sistema imune de pessoas sem defesas naturais contra a cepa, nunca vista antes de sua emergência nos Estados Unidos e no México.

Muitos hospitais e clínicas, especialmente nos países mais pobres, têm ficado sobrecarregados com pacientes em busca de assistência para o H1N1 enquanto o Hemisfério Norte entra na temporada de gripe do inverno.

Shindo afirmou que o tratamento precoce de pacientes graves e de risco com o oseltamivir pode ajudar a enfraquecer a cepa.

A OMS enviou drogas antivirais a 72 países em maio, quando a pandemia começou a ganhar força, e recentemente enviou estoques de medicamentos ao Afeganistão, à Mongólia, a Belarus e à Ucrânia. Em breve enviará mais suprimentos ao Azerbaijão e ao Quirguistão.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay)

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