BC amplia lista de ativos a serem adquiridos com compulsório

Objetivo da nova medida é aumentar a liquidez e combater a escassez de crédito; Lula ameaçou bancos na 4ª

Fernando Nakagawa, da Agência Estado

16 de outubro de 2008 | 09h30

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 16, circular que amplia o número de ativos que podem ser adquiridos por instituições financeiras e que geram abatimento no recolhimento de compulsórios sobre depósitos a prazo. O objetivo das medidas do BC é aumentar a liquidez e combater a escassez de crédito diante das incertezas sobre o tamanho da recessão da economia mundial.       Veja também: Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise  Compulsório demora a virar crédito no País Se banco não emprestar, BC tomará dinheiro de volta, diz Lula Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Passam a ser aceitos nesse tipo de operação títulos e valores mobiliários de renda fixa, adiantamentos e outros créditos de pessoas físicas e empresas não financeiras. Segundo nota à imprensa divulgada pelo BC, a redução do compulsório continua em 70% do valor a ser recolhido pela instituição que adquire os ativos. Esse abatimento está limitado a 20% para aquisição de operações de uma determinada instituição.   Dessa forma, para que o banco comprador consiga utilizar o desconto total de 70%, será necessário adquirir, no mínimo, ativos de cinco instituições. O patrimônio de referência do banco que vender os ativos continua limitado a R$ 7 bilhões para a geração do abatimento de compulsório.   A nota também cita que só poderão ser utilizadas operações originadas na instituição vendedora até 30 de setembro de 2008.   Apesar de o BC ter anunciado, por duas vezes, a liberação do tão criticado compulsório, a situação ainda não mudou. Segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima), o dinheiro liberado está sendo devolvido à autoridade monetária todos os dias por meio da compra de títulos públicos. Na última quarta, o volume de recursos atingiu R$ 72 bilhões, ante uma média de R$ 29 bilhões em agosto e R$ 49 bilhões, em setembro.   O movimento provocou a irritação do presidente Lula. Em viagem pela Índia, ele ameaçou punir os bancos que receberam dinheiro do compulsório e não estão repassando o dinheiro na forma de empréstimos. Segundo ele, o BC terá de tomar uma atitude e pegar o dinheiro de volta. As instituições financeiras, no entanto, negam que isso venha ocorrendo.   Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) disse que entende e partilha da preocupação do presidente da República em relação à normalidade das operações de crédito. A entidade informa que diversas operações têm sido realizadas desde a liberação dos compulsórios.   Texto alterado às 11h20

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