Bebê tem braço amputado após erro clínico em hospital

Texto atualizado às 19h25.

Gerson Monteiro, Especial para o Estado,

09 de agosto de 2012 | 16h26

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS - Por um possível erro no atendimento de emergência no Pronto Socorro da Vila Industrial, em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a 90 km de São Paulo, um bebê de 40 dias teve o braço amputado nesta manhã. Enfermeira teria aplicado medicação na artéria, provocando uma necrose. Família pede justiça e ajuda psicológica.

Segundo Miriam Monteiro de Barros, tia do bebê, na manhã do último domingo, 5, a criança estava passando mal, com arritmia cardíaca e palidez, e precisou ser levada ao pronto socorro. A mãe, D.M.B.T, de 17 anos, fez a entrada do filho no atendimento infantil. Durante o atendimento uma enfermeira teria aplicado o medicamento na artéria, quando deveria aplicá-lo na veia, o que teria provocado uma parada cardíaca na criança. Às pressas o bebê teria sido levado para a UTI. "Vimos a mãozinha dele toda roxinha", comentou Joana Maria de Souza, amiga da família que tem dado suporte para a mãe adolescente e para a avó.

Na tarde de segunda-feira, 6, a família foi informada que o bebê L.M.B.T. perderia a mão por conta de uma necrose (processo de morte das células, quando o sangue para de circular). Na quarta-feira, 8, o quadro clínico, informado pelo hospital aos familiares, piorou e a mãe e a avó precisaram assinar um documento autorizando a amputação do braço direito da criança.

De acordo com a tia, que é auxiliar de enfermagem, antes da cirurgia para amputação ela chegou a conversar com uma médica que teria confirmado que "foi a aplicação errada de medicamento, o que teria gangrenado (falta de oxigênio na corrente sanguínea)".

O hospital é gerenciado pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) desde 2006, é a maior unidade hospitalar do município e é "reconhecido como Hospital Amigo da Criança", de acordo com o site da instituição, e é vinculado a Secretaria Municipal de Saúde, que confirmou a ocorrência e uma sindicância interna deve apurar o caso. Um boletim de ocorrência também foi registrado pela família, a Polícia Civil deve abrir inquérito.

Profissionais envolvidos no atendimento ao bebê e familiares serão ouvidos nos próximos dias. "Que faça alguma coisa pela criança. Se sair daqui ele será um homem sem braço. Um convênio, uma prótese, uma ajuda psicológica, pois até agora não fizeram nada", espera a tia. Ainda segundo os familiares, o quadro clínico do bebê é grave, porém estável. Outro lado.

Segundo a direção do hospital, a paciente já teria dado entrada no hospital "com um quadro de grave arritmia cardíaca e choque cardiogênico". "Numa análise preliminar do caso, a direção do HM (Hospital Municipal) não encontrou indícios de negligência, imperícia ou imprudência nas condutas tomadas no referido caso", informou a assessoria em nota.

De acordo o diretor clínico do hospital, Marcos Antonio da Silva, a necessidade da punção pode ter atingido a artéria, mas que em nenhum momento foi colocado medicamento naquela punção, como informa a família. Essa seria uma das possibilidades, que serão analisadas pela direção. Silva disse ainda que o caso será encaminhado para o Conselho Regional de Medicina pela Comissão de Ética Médica do hospital. E contesta a falta de apoio para a família, informando que a família está sendo assistida por uma equipe multidisciplinar que inclui psicólogos, médicos, enfermeiros e assistentes sociais.

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