Biodiversidade desconhecida é enorme, diz pesquisador

No Brasil, com exceção de alguns poucos grupos, a biodiversidade conhecida dos invertebrados marinhos é de apenas 10% em média. Ou seja, há muito ainda a se conhecer. Apesar de vários fatores ajudarem a explicar esse descompasso - um deles é o tamanho do litoral brasileiro -, fica claro que existem muitas espécies marinhas ainda não registradas. ?Estima-se que o número de espécies na costa brasileira deva dobrar ou triplicar se houver esforços de coleta direcionados aos ambientes menos estudados, como os de profundidade ou plâncton oceânico?, disse Antônio Carlos Marques, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo, à Agência Fapesp. Para o pesquisador, autor de um relatório aprofundado sobre o conhecimento atual dos invertebrados marinhos do Brasil, é muito difícil falar em números de espécies que ainda podem ser descobertas. No estudo, em que foram ouvidos diversos especialistas da área de zoologia marinha de invertebrados, fica evidente que o grau do conhecimento, em todos os setores, que precisa aumentar. ?Poucos foram os biótopos considerados como tendo atingido graus bom ou ótimo, tanto do ponto de vista da coleta quanto do conhecimento da fauna?, diz Marques, citando os resultados do relatório sobre a biodiversidade dos invertebrados marinhos, feito a pedido do Ministério do Meio Ambiente. Marques destaca que o avanço no conhecimento básico dos invertebrados marinhos é fundamental não apenas para os cientistas. Tais dados podem ser essenciais também para diversos setores da sociedade brasileira. EDUCAÇÃO AMBIENTAL O aumento no conhecimento a respeito dos invertebrados marinhos será um dos assuntos em pauta em março, em Curitiba, durante a 8ª Reunião da Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8). O evento será realizado entre os dias 20 e 31. Para que o conhecimento cresça e a biodiversidade possa ser usada de forma sustentável - esses são dois dos três objetivos principais da Convenção sobre Diversidade Biológica - não são necessários apenas investimentos na área científica. Segundo os especialistas, é preciso que se crie uma visão interdisciplinar. Além disso, ações de educação ambiental e de turismo podem ajudar bastante na preservação de todo o ecossistema marinho brasileiro. ?As formações coralinas e os demais ambientes litorâneos vêm sendo explorados pelo ecoturismo, mas ainda de forma pouco organizada e pontual?, lembra Antônio Carlos Marques.

Agencia Estado,

02 de março de 2006 | 14h46

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.