Briga de paramédicos atrasa resgate e criança morre

Bombeiros e a Secretaria Municipal de Saúde anunciam a abertura de sindicâncias para apurar o caso

Eduardo Kattah, Agencia Estado

15 de outubro de 2007 | 20h08

Enquanto a menina Dayane Soares dos Santos, de 7 anos, vítima de atropelamento, aguardava atendimento, bombeiros e paramédicos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) se desentenderam e quase brigaram. O incidente foi registrado no domingo, 14, na BR-381, em Santa Luzia, região Metropolitana de Belo Horizonte, e atrasou o socorro à criança, que morreu na unidade de resgate dos Bombeiros a caminho do hospital. O desentendimento entre paramédicos e bombeiros revoltou populares e parentes da vítima.Nesta segunda-feira, a corporação e a Secretaria Municipal de Saúde anunciaram a abertura de sindicâncias para apurar o caso, mas trocaram acusações. Em nota, o município informou que o secretário Helvécio Miranda Magalhães Júnior faria também uma denúncia ao Ministério Público (MP). Os integrantes do Samu acusaram a unidade de resgate dos Bombeiros de proceder de forma equivocada o atendimento à vítima e impedir o trabalho da equipe médica. No comunicado, a Secretaria afirma ainda que "diante da coação dos bombeiros militares, a criança foi indevidamente transportada" pela unidade de resgate e chegou já sem vida ao hospital.Segundo a nota, uma equipe do Samu chegou ao local do acidente às 12h22 e ao constatar o estado de inconsciência e gravidade da vítima, solicitou o apoio de uma Unidade de Suporte Avançado (USA). A assessoria dos Bombeiros, no entanto, informou que a alegação do militar responsável - identificado como sargento Wanderson - era que a vítima já estava imobilizada na unidade de resgate e o médico teria se recusado a acompanhá-la até o hospital no veículo. Os bombeiros afirmaram que um motorista do Samu chegou a bloquear a pista da rodovia para tentar impedir que a unidade de resgate deixasse o local com a vítima.

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