Casal Hernandes pode voltar ao Brasil em junho

Casal fundador está em prisão domiciliar nos EUA e está em liberdade condicional até junho

Adriana Carranda, de O Estado de S. Paulo,

20 Janeiro 2009 | 08h03

Estevam e Sonia Hernandes, fundadores e líderes da Igreja Cristã Apostólica Renascer em Cristo, podem voltar ao Brasil a partir de junho, quando terminam de cumprir o período de liberdade condicional nos Estados Unidos. A informação é do advogado do casal, Luiz Flávio Borges D’Urso, também presidente da seccional de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP)   Veja também: Igreja desabou por falta de manutenção, dizem técnicos Casal Hernandes pode voltar ao Brasil em junho Igreja usa mídia própria para falar em 'milagre' Em tragédia de templo em Osasco, crime prescreveu Interdição no entorno da Renascer deixa 15 pessoas desalojadas Troféu de Kaká não estava no templo; jogador casou no local Casal Hernandes divulga nota sobre desabamento Igreja Renascer divulga lista das vítimas do desabamento  Galeria de fotos: imagens do local e do resgate às vítimas  Todas as notícias sobre o desabamento na Igreja Renascer      Condenados por conspiração e contrabando, em agosto de 2007, eles já passaram 140 dias em uma cadeia americana e cinco meses em prisão domiciliar, além de pagar multa de U$ 30 mil cada um. O Ministério Público de São Paulo chegou a pedir a extradição do casal para o Brasil, onde responde por crimes como lavagem de dinheiro, mas o pedido foi suspenso por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), em outubro.   O casal foi preso em janeiro de 2007 no Aeroporto de Miami ao tentar entrar no país com US$ 56.467 escondidos em uma Bíblia, em CDs gospel e em duas bolsas, embora tivessem declarado à alfândega U$ 10 mil cada um.   No Brasil, os Hernandes respondem por lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica na 1ª Vara de Justiça Criminal de São Paulo - os advogados de defesa tentaram arquivar o processo, mas o STF rejeitou o pedido. Na denúncia, o Ministério Público de São Paulo refere-se à segunda maior comunidade neopentecostal do País como uma "organização criminosa montada para lavar dinheiro proveniente de estelionato". O MP levantou cerca de cem ações civis por cobrança de dívidas contra integrantes da Igreja - são processos trabalhistas, fiéis reclamando que foram obrigados a fazer doações, locatários que nunca receberam o dinheiro de aluguéis dos templos.   Sonia e seu filho, Felipe Daniel Hernandes, chamado de bispo Tide, respondem por outro processo, na 1ª Vara Criminal, pela propriedade da torre de TV que pertence à Igreja Renascer e transmite a programação da Rede Gospel, localizada na esquina da Rua da Consolação com a Avenida Paulista. Segundo denúncia dos promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), apesar de ter sido construída com contribuições de fiéis, a torre pertence à FH Comunicações - empresa de Sonia e seu filho.   Mercadores da fé   Tantos escândalos abalaram a fé de alguns fiéis e provocaram rachas na Renascer. Um grupo de ex-pastores e missionários tenta se organizar para fundar uma outra Renascer, por enquanto chamada de Associação Renascer. Dissidentes criaram páginas na internet com denúncias contra seus integrantes. Um deles, O Fuxico Renascer - Os Bastidores da Dissimulação, é alimentado por ex-fiéis descontentes. Alguns dos comentários sobre a queda do teto do templo atribuíam a tragédia à "justiça Divina", colocavam questões como "a Força do Mal é maior que a do Bem?", acusavam a Renascer de "usar a palavra de Deus exclusivamente para seus interesses" e pediam orações pelos "falecidos, enganados como milhões de pessoas".   O casal é dono de um patrimônio estimado em R$ 20 milhões, que inclui uma mansão em Boca Raton, na Flórida (EUA) - avaliada em U$ 465 mil - e uma fazenda de 45 hectares em Mairinque, a 70 km de São Paulo, comprada pela Igreja em 2001 por R$ 1,8 milhão. Os bens estão bloqueados pela Justiça e não podem ser vendidos.   O casal que arrebatou milhões de fiéis levava uma vida normal antes de fundar a Igreja, em 1986. Ele, um ex-corretor de imóveis. Ela, vendedora de roupas. O império religioso começou a ser construído na casa dos dois, onde eram realizadas orações em grupo. E, desde o início, era gerido como empresa. Foi a primeira Igreja do País a apostar na classe média e no público jovem, e a tentar popularizar a cultura gospel com uma programação moderninha, capitaneada por Sonia na TV.   Hoje, a Fundação Renascer, mantenedora do império construído pelo casal, tem 1.500 templos no Brasil, com 60 "bispos" - nomeados por Hernandes - e cerca de 2.500 pastores, redes de rádio e TV, uma gravadora, uma editora e filiais em países como Argentina, Uruguai, Espanha, EUA e Japão.

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