Ciclistas fazem 'Pedalada Pelada' na Paulista

Cerca de 300 ciclistas participaram da 8.ª edição da Pedalada Pelada na noite deste sábado, 14, na região da Avenida Paulista. Com o lema "tão nu quanto você ousar", o evento foi um protesto para chamar atenção, principalmente dos motoristas, para a fragilidade dos corpos de quem se locomove de bicicleta nas ruas de São Paulo. Segundo a Polícia Militar, havia 200 pessoas.

JULIANA DIÓGENES, Estadão Conteúdo

14 de março de 2015 | 22h04

Entre 18h e 20h, os manifestantes se concentraram na Praça do Ciclista, quando saíram pedalando na Paulista no sentido Paraíso. O trajeto oficial não foi divulgado, mas a expectativa dos participantes era de que terminasse na Vila Madalena, como na última edição. Uma viatura da PM acompanhou o protesto.

A nudez não era obrigatória para participação no evento. Na concentração, a maioria dos participantes estava seminua. Nina Falci, de 24 anos, foi uma das que tiraram a roupa para chamar atenção para a causa. "Para mim, é muito natural. A gente se sente nu no trânsito, a diferença é que no protesto (a nudez) é mais visível", explica a ciclista, que há dois anos adotou a bicicleta como meio de transporte.

Os manifestantes nus e seminus pintaram no corpo frases como "Não me mate", "Frágil" e "Mais amor, menos motor". O cineasta Gustavo Oliveira, de 34 anos, pintou nas costas os dizeres "Você me vê agora". Esta foi a segunda vez que Oliveira marcou presença na manifestação. "Sou ciclista desde os 15 anos. Sempre andei da Vila Mariana até o Pacaembu pela Avenida Paulista e se estou vivo hoje é um milagre". Para o cineasta, o evento é uma forma de mostrar a vulnerabilidade do ciclista em todas as cidades brasileiras, não somente em São Paulo.

Curioso após ter lido sobre o evento nos jornais, o supervisor de vendas Luiz Carlos Teixeira, de 55 anos, elogiou a iniciativa. "Eles ficaram nus para chamar atenção de alguma forma e conseguiram. Todo mundo parou para olhar", disse ele, que mora na Rua Bela Cintra e saiu de casa para ver de perto a movimentação. Teixeira considera positivo o aumento de ciclofaixas e ciclovias nos últimos anos em São Paulo, mas sugere melhorias. "Falta o hábito de andar de bicicleta nas faixas. Ando por São Paulo inteira e só vejo as ciclofaixas vazias. Precisava ter um apoio cultural para a conscientização de que é para usá-las".

O mestrando em Física William Iunes, 23, levou para o evento o modelo retrô Penny Farthing como forma de despertar curiosidade e interesse para a causa. A bicicleta custou R$ 1.500. Pelo formato da bike, Iunes tem dificuldade em pedalar com frequência. "Esse modelo não aguenta subidas e descidas. Então só a cada 15 dias costumo andar em parques e, quando está fechado, no Minhocão".

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