Combinação de radiações amplia risco para astronautas

A questão não é apenas quanta radiação um astronauta recebe: o ritmo e a ordem em que as partículas atingem tecido humano são importantes também. Esta é a principal descoberta de um estudo que simulou exposição a radiação, realizado no Laboratório Nacional Brookheaven e publicado na edição de setembro do periódico Radiation Research. No trabalho, células humanas tiveram a probabilidade de adquirir características semelhantes ao câncer multiplicada por três quando expostas a dois tipos de radiação num curto intervalo de tempo. A radiação no espaço é formada por altos níveis de prótons de alta energia e níveis muito menores de partículas de alta energia e número atômico elevado (HZEs), como núcleos atômicos de ferro e titânio. "A maioria das pessoas que estuda os efeitos da radiação espacial olha para um tipo de partícula, ou os prótons ou os HZEs", disse a bióloga Betsy Sutherland, principal autora do trabalho. "Este é um dos primeiros estudos a tentar imitar as condições espaciais de perto, onde, em média, a célula é atingida por um próton antes e por uma HZE depois".Para fazer o teste, a equipe de Sutherland primeiro expôs células humanas normais a um feixe de prótons. Depois, após um intervalo de 2,5 minutos a 48 horas, houve a exposição a partículas de ferro ou titânio.Os cientistas determinaram que a probabilidade de uma célula sofrer mudanças que predispõem ao câncer depende do intervalo entre as duas exposições, com o máximo no intervalo de 2,5 minutos a uma hora. A boa notícia, segundo a pesquisadora, é que no espaço o bombardeio não ocorre num intervalo tão curto.

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