Contágio com HIV em hospital público abre polêmica no Peru

Governo peruano decretou, na quarta-feira, uma intervenção em todos os bancos de sangue do país

EFE

15 de setembro de 2007 | 05h15

A contaminação com o vírus da Aids de dois pacientes submetidos a transfusões de sangue disparou os alarmes esta semana no Peru, levantando a polêmica sobre os sistemas de controle do sistema público de saúde. A controvérsia surgiu junto com o caso de Judith Rivera Díaz, uma mãe de família de 44 anos. Ela foi infectada com o HIV em abril, depois de ser operada num hospital público da província de Callao. Visivelmente afetada, Rivera Díaz falou aos jornalistas ao lado do vice-ministro da Saúde, José Calderón Ybérico. Paradoxalmente, ele informou que não houve negligência no caso. Segundo o vice-ministro, o contágio foi conseqüência de uma doação de sangue feita por uma pessoa que não sabia que era portadora do HIV. Além disso, o vírus não foi detectado nos exames porque estava no "período de janela imunológica", durante o qual ele não aparece nem provoca sintomas. Com a repercussão do caso, o Ministério da Saúde se comprometeu a proporcionar atendimento integral e vitalício a Rivera. Mas recusou-se a pagar uma indenização. A situação piorou dois dias depois, com a revelação de um novo caso. Uma criança de 1 ano de idade recebeu o vírus no mesmo hospital, o que levou ao Governo a declarar o estado de emergência em todos os bancos de sangue do país. A medida, imposta na quarta-feira, fechou 30 instituições. O Governo decretou uma intervenção em todos os bancos de sangue e o compromisso de criar a curto prazo centros para receber a doação voluntária, que passa a ser prioridade nacional. Apenas 4% do sangue para transfusões no Peru vêm de voluntários.  A detecção da Aids demora de 30 a 35 dias com os melhores e mais novos sistemas. O prazo chega a três meses no caso da hepatite C. Mas os glóbulos vermelhos duram 120 dias, e as plaquetas, apenas três. "Assim, não se pode garantir que as transfusões sejam totalmente seguras", explicou Peña. "A solução passa por criar bancos grandes, dotados das últimas tecnologias, manter bem atualizado o pessoal e cuidar para que o sangue recebido seja saudável, promovendo a doação voluntária", recomendou. Atualmente, a maioria de doações no Peru é "de reposição", feita pelos parentes dos pacientes submetidos a uma intervenção cirúrgica.  Além disso, muitas pessoas, por uma ínfima recompensa em dinheiro, vendem seu sangue a quem pedir, ocultando a informação necessária para deduzir a existência de doenças. Além disso, cerca de 20% das extrações não são submetidas a testes de Aids e hepatite, segundo um relatório recente citado pelo especialista da OPS. Mas ele ressaltou que o problema se restringe a algumas "pequenas clínicas". Em 2005, oito bebês foram infectados com o vírus da Aids também em transfusões de sangue em hospitais públicos peruanos.

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