Criador de Dilbert recupera-se de rara disfunção da fala

Um trabalhador calvo, de óculos, inexplicavelmente perde a voz - exceto quando tenta fazer rimas ou tampa o nariz. Pode parecer piada de tira em quadrinhos, mas o cartunista Scott Adams, criador de "Dilbert", diz ter se recuperado dessa exata doença. "Não quero dar falsas esperanças a quem sofre da mesma coisa", disse Adams. "Nem sei se minha voz vai ficar. Talvez seja só uma ilusão. Ela voltou há poucos dias e poderá sumir de vez".Adams, de 49 anos, aprece ser um exemplo raro de alguém quase - mas não totalmente - recuperado de disfonia espasmódica (DE), uma doença na qual as partes do cérebro que controlam a fala se desligam, ou passam a funcionar como se estivessem com os fios trocados. Um dos aspectos mais peculiares da DE é que as vítimas tipicamente se vêem incapazes de manter conversas usando a voz normal, mas conseguem falar em circunstâncias específicas, como logo depois de espirar ou de rir, lendo poesia, engrossando ou afinando a voz.A doença pode ser causada por uma anomalia cromossômica que leva a espasmos nas cordas vocais. Pode causar espasmos nos olhos, braços, boca e pernas. Muitas vítimas sofrem de distonias, ou problemas de movimento, diversas.Há quase três anos, Adams desenvolveu um tremor no dedo mínimo da mão direita sempre que encostava a pena no papel para desenhar. Ele adotou um sistema digital, e os espasmos sumiram. Dilbert é gerado por computador desde então. A perda de voz ocorreu em 2005. Seu único luxo, diz ele, era a capacidade de cantar e recitar poesia.

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