Delegados de SP acusam PM de 'usurpar suas funções'

Grupo de policiais de Barretos realizou passeata e entregou ao Ministério Público representação contra 9 PMs

AE, Agencia Estado

25 de setembro de 2008 | 08h57

Os 16 delegados de Barretos, na região de Ribeirão Preto, realizaram na quarta-feira, 24, uma passeata até o Ministério Público Estadual (MPE) para entregar uma representação contra nove policiais militares que, segundo eles, teriam "usurpado", durante a greve, funções que cabem apenas à Polícia Civil. Os manifestantes tinham as bocas vedadas por mordaças pretas. "Entregamos cópias de requisições de perícia, de exame de corpo de delito e de autos de exibição e apreensão feitos pelos PMs. São atos exclusivos de delegados", disse Antonio Alício Simões Júnior, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Barretos (Sinpol) e diretor da Associação dos Delegados de São Paulo (Adesp).O promotor Flávio Okamoto disse que se reuniria nesta quinta-feira, 25, com outros três colegas para decidir qual medida tomar - instaurar inquérito ou dar encaminhamentos administrativos na Secretaria da Segurança Pública e no Comando-Geral da PM. "Os delegados estão no direito deles, mas estamos em situação delicada, pois a PM está nos ajudando a fazer o que é função da Polícia Civil", argumentou.Além das críticas à PM, os policiais da região se revoltaram com a saída do seccional de Barretos. A exoneração do delegado João Osinski Júnior provocou reação dos colegas. Os delegados entendem que o ato foi uma retaliação à greve, iniciada no dia 16. "Não entendemos por que isso ocorreu só com ele", disse Simões Júnior, também delegado do 1º DP de Barretos. "Todos os delegados entendem que essa destituição ocorreu em função da greve", disse. A Secretaria da Segurança Pública negou que a remoção de Osinski Júnior tenha sido retaliação. Para o seu lugar, foi designado o delegado Odacir Cesário da Silva, ex-seccional de São Carlos, que estava no 2º DP de Ribeirão Preto. O destino e a nova função de Osinski Júnior ainda não foram definidos.Em oito dias de greve, é a segunda exoneração que provoca polêmica. O primeiro a perder o cargo foi o delegado Sérgio Marcos Roque, presidente da Adesp, que trabalhava no setor de inteligência. Descontente com a decisão, o diretor do Departamento de Inteligência (Dipol) também deixou o posto.Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Ribeirão Preto, a greve continua com 100% de adesão na região. Ele diz que todas as ocorrências com urgência são atendidas. O atendimento na Circunscrição Regional de Trânsito está restrito aos serviços de renovação da carteiras e registros de documentos de veículos novos e dos prestes a vencer.var keywords = "";

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