Denunciante de Orlando Silva diz ter prova de esquema no Esporte

O policial militar João Dias Ferreira, denunciante de um suposto esquema de desvio de recursos no Ministério do Esporte que seria comandado pelo titular da pasta Orlando Silva, disse nesta terça-feira ter provas do esquema e se colocou à disposição do Congresso e do Ministério Público.

REUTERS

18 de outubro de 2011 | 18h56

"Muito em breve vocês terão provas e áudio", disse o policial militar a jornalistas após encontro com líderes da oposição no Senado. "Não sou criminoso, nem bandido. Em pouco tempo vamos saber quem é quem."

João Dias afirmou ter uma gravação de uma reunião da qual participou no ministério em 2008 que provaria a existência do esquema. Ele também disse ter documentos que provariam suas acusações.

Indagado para que desse mais detalhes sobre essas provas, o policial militar afirmou apenas que "muitas coisas ainda estão por vir".

"Estou à disposição do Ministério Público, do Senado e da Câmara. Não temos nada a temer. Estou tranquilo, não é com o depoimento do ministro que está encerrado", afirmou.

O policial acusa a existência de um esquema de desvio de dinheiro público destinado a convênios entre o Ministério do Esporte e organizações não-governamentais no âmbito do programa Segundo Tempo, gerido pela pasta.

Ele disse que as entidades que firmam esses convênios só recebem o dinheiro destinado aos acordos após pagarem até 20 por cento do valor do contrato a pessoas ligadas ao PCdoB, partido de Orlando Silva.

João Dias foi uma das cinco pessoas presas numa operação da polícia de Brasília no ano passado que investigou desvio de recursos do programa Segundo Tempo.

O denunciante também foi questionado sobre sua ausência no depoimento que prestaria à Polícia Federal nesta terça. Ele alegou motivo de "força maior" e disse que irá à PF na quinta-feira.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), que participou do encontro com o policial militar, disse que João Dias relatou detalhes do esquema a parlamentares da oposição e pediu "garantias de vida".

O ministro Orlando Silva nega as acusações do policial militar e afirma que elas são uma represália à decisão da pasta de romper convênio firmado com uma ONG dirigida pelo policial que não teria sido cumprido, além de pedir a devolução dos recursos destinados a esse acordo.

No comando do Ministério do Esporte, Orlando Silva é o principal encarregado no governo da presidente Dilma Rousseff para os preparativos da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 no país.

Mais conteúdo sobre:
POLITICAJOAODIASPROVAS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.