Desilusão completa 1 ano na Gávea

Em 26 de janeiro de 2009, prefeitura de Niterói e Flamengo anunciavam acordo para salvar o esporte. Em vão

Bruno Lousada, O Estadao de S.Paulo

26 de janeiro de 2010 | 00h00

FRUSTRAÇÃO - Questões burocráticas impediram assinatura do acordo entre Niterói e Flamengo. Ginastas como Jade não receberam salário em 2009

RIO

Patrocínio milionário no futebol e um ataque poderoso, com Vagner Love e Adriano, que juntos ganham cerca de R$ 1 milhão por mês. Enquanto isso, os principais ginastas do Flamengo - entre eles o bicampeão mundial no solo Diego Hypólito - sofrem à espera da promessa não cumprida. Há exato um ano, o prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira (PDT), em seu gabinete, e o então presidente rubro-negro, Marcio Braga, comemoravam a "salvação" da ginástica do clube.

A prefeitura de Niterói ofereceu ajuda de R$ 80 mil por mês e evitou que as portas da Gávea se fechassem para os atletas - Marcio Braga ameaçava acabar com a modalidade no Flamengo por falta de verba. O acordo, no entanto, acabou nem sendo assinado. Com isso, os ginastas deixaram de faturar, em 12 meses, R$ 960 mil. Só treinam no clube por opção, mas sem nada receber.

Para captar o recurso, a prefeitura exigiu, em janeiro de 2009, que fosse criado instituto com o nome de Diego, ginasta de maior destaque do País, pois o Flamengo não pode receber dinheiro público por causa de suas dívidas com a União. Diego e seu empresário Pedro Monteiro consultaram advogados e concluíram que não valeria a pena abrir empresa para obter o dinheiro. Na visão de Monteiro, seria muita responsabilidade nas costas de um atleta de ponta, que precisa se dedicar ao máximo aos treinos e não a questões burocráticas.

"Ele não quis (abrir o instituto). Assumiria papel de gestor e responderia por eventuais questões trabalhistas", explicou o empresário. "A verba destinada não previa a contratação de profissionais para trabalhar na administração do instituto e o Diego, como presidente da empresa, se remuneraria, algo muito estranho", comentou.

Em 26 de janeiro de 2009, foi selado o apoio da prefeitura à ginástica rubro-negra no gabinete de Jorge Silveira, com a presença de Diego e Daniele Hypolito, Jade Barbosa e Vítor Rosa. Os ginastas saíram felizes e agradecidos pela ajuda. Na ocasião, empolgado com a iniciativa em prol do esporte, Silveira prometeu escolinha de ginástica artística para crianças carentes, com clínicas de Diego, Jade e Daniele - e as que se destacassem treinariam no Flamengo. Nada disso ocorreu.

A intenção de Jorge Silveira era que a parceria durasse, no mínimo, quatro anos. Mas ela está fadada ao fracasso. Os irmãos Diego e Daniele já desistiram do acordo, segundo a assessoria da prefeitura. Já Jade e o Vítor enviaram projeto, que está sob análise. O empresário de Diego disse que o atleta ainda aguarda uma solução.

Na visão de Daniele, a situação vai melhorar neste ano, com Patrícia Amorim na presidência do Flamengo. "Ela quer quitar os três meses de salário atrasado ainda de 2008 antes de renovar nossos contratos", afirmou. A nova diretoria contratou as ginastas Ana Cláudia Silva e Khiuani Dias e promete dias melhores para o esporte olímpico no clube.

ENTENDA O CASO

Janeiro de 2009 - O então presidente do Flamengo, Marcio Braga, ameaça acabar com a ginástica no clube por falta de verba.

Janeiro de 2009 - A prefeitura de Niterói oferece ajuda de R$ 80 mil por mês, mas o acordo, embora festejado, não é assinado.

Flamengo não pode receber a verba por causa das dívidas com a União e atletas não criam instituto para obter o recurso.

Janeiro de 2010 - Os atletas não receberam um centavo da prefeitura nos últimos 12 meses.

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