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Dólar tem novo recorde nesta terça-feira, 26 Reuters

Dólar à vista fecha a R$ 4,24, em nova máxima histórica

O Banco Central chamou o segundo leilão de dólar à vista, depois que a cotação bateu em R$ 4,27, em reação a fala de Paulo Guedes

Denise Abarca e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 17h52
Atualizado 26 de novembro de 2019 | 19h24

O dólar à vista fechou esta terça-feira, 26, em R$ 4,24, com alta de 0,61%, em nova máxima histórica. O Banco Central chamou o segundo leilão de dólar à vista do dia pouco depois das 15h30, depois que a moeda voltou a acelerar a alta para novas máximas acima de R$ 4,27 em função da frustração nas expectativas de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pudesse explicar suas declarações sobre o câmbio na segunda-feira, 25. O dólar futuro para dezembro também ampliou os ganhos e chegou a entrar em leilão na B3.

Na palestra proferida nesta terça, de mais de 30 minutos, o ministro não fez nenhuma menção a câmbio. Guedes apontou que a composição da política econômica é "política fiscal apertada e monetária frouxa", enquanto ontem tinha destacado que o mix era por juro de equilíbrio mais baixo e câmbio neutro mais alto, em palestra no Peterson Institute for International Economics.

O leilão de dólar à vista ocorreu das 15h35 às 15h40 e teve taxa de corte de R$ 4,2390. O Banco Central não informou o total vendido nessa operação. Depois do leilão, a moeda bateu mínima em R$ 4,2347 (+0,48%), mas já era negociado nos R$ 4,24 novamente perto das 16h30, em R$ 4,2451 (+0,71%).

Bolsa

Além de elevar o recorde do dólar, as declarações do ministro da Economia mantiveram o Ibovespa sob pressão ao longo de toda a sessão, atingindo mínima de 106.413,93 pontos no pior momento do dia. Limitando as perdas, o principal índice da B3 conseguiu se segurar na faixa dos 107 mil pontos, encerrando a sessão em baixa de 1,26%, a 107.059,40 pontos (na véspera, encerrou aos 108.423,93).

Com duas vendas à vista de dólar pelo Banco Central, a moeda americana limitou os ganhos desta terça-feira a 0,61%, a R$ 4,2400 no encerramento. Para além do ruído em torno do câmbio, outro fator parece ter exercido influência sobre a correção no Ibovespa, que afetou em especial as ações de empresas com exposição a custos na moeda americana, como companhias aéreas (Gol PN -3,84% e Azul PN -4,53%), mas ajudou moderadamente as de exportadoras como Vale (+0,71% na ação ordinária) e Suzano (+0,21% na ON).

A implementação nesta terça do balanceamento da carteira teórica de índices do Morgan Stanley Capital Internacional (MSCI), como o MSCI Brasil e o MSCI EM (Emerging Markets), também contribuiu para a queda do Ibovespa, segundo três profissionais do mercado de ações ouvidos pelo Estadão/Broadcast

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    O Banco Central chamou o segundo leilão de dólar à vista, depois que a cotação bateu em R$ 4,27, em reação a fala de Paulo Guedes

    Denise Abarca e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

    26 de novembro de 2019 | 17h52
    Atualizado 26 de novembro de 2019 | 19h24

    O dólar à vista fechou esta terça-feira, 26, em R$ 4,24, com alta de 0,61%, em nova máxima histórica. O Banco Central chamou o segundo leilão de dólar à vista do dia pouco depois das 15h30, depois que a moeda voltou a acelerar a alta para novas máximas acima de R$ 4,27 em função da frustração nas expectativas de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pudesse explicar suas declarações sobre o câmbio na segunda-feira, 25. O dólar futuro para dezembro também ampliou os ganhos e chegou a entrar em leilão na B3.

    Na palestra proferida nesta terça, de mais de 30 minutos, o ministro não fez nenhuma menção a câmbio. Guedes apontou que a composição da política econômica é "política fiscal apertada e monetária frouxa", enquanto ontem tinha destacado que o mix era por juro de equilíbrio mais baixo e câmbio neutro mais alto, em palestra no Peterson Institute for International Economics.

    O leilão de dólar à vista ocorreu das 15h35 às 15h40 e teve taxa de corte de R$ 4,2390. O Banco Central não informou o total vendido nessa operação. Depois do leilão, a moeda bateu mínima em R$ 4,2347 (+0,48%), mas já era negociado nos R$ 4,24 novamente perto das 16h30, em R$ 4,2451 (+0,71%).

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    Além de elevar o recorde do dólar, as declarações do ministro da Economia mantiveram o Ibovespa sob pressão ao longo de toda a sessão, atingindo mínima de 106.413,93 pontos no pior momento do dia. Limitando as perdas, o principal índice da B3 conseguiu se segurar na faixa dos 107 mil pontos, encerrando a sessão em baixa de 1,26%, a 107.059,40 pontos (na véspera, encerrou aos 108.423,93).

    Com duas vendas à vista de dólar pelo Banco Central, a moeda americana limitou os ganhos desta terça-feira a 0,61%, a R$ 4,2400 no encerramento. Para além do ruído em torno do câmbio, outro fator parece ter exercido influência sobre a correção no Ibovespa, que afetou em especial as ações de empresas com exposição a custos na moeda americana, como companhias aéreas (Gol PN -3,84% e Azul PN -4,53%), mas ajudou moderadamente as de exportadoras como Vale (+0,71% na ação ordinária) e Suzano (+0,21% na ON).

    A implementação nesta terça do balanceamento da carteira teórica de índices do Morgan Stanley Capital Internacional (MSCI), como o MSCI Brasil e o MSCI EM (Emerging Markets), também contribuiu para a queda do Ibovespa, segundo três profissionais do mercado de ações ouvidos pelo Estadão/Broadcast

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      'Aposta contra o real é uma péssima aposta', diz Gesner Oliveira

      De acordo com o professor da FGV e sócio da GO Associados, não há risco de explosão do preço do dólar, e pondera que o Brasil não é uma ilha e que sofre a pressão geral sobre o câmbio

      Entrevista com

      Gesner Oliveira, professor da FGV-SP

      Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

      26 de novembro de 2019 | 15h00

      Em função das contas externas e da situação confortável da inflação, o Brasil é um país relativamente blindado à recente pressão sobre o dólar, na avaliação do economista Gesner Oliveira, professor da FGV-SP e sócio da GO Associados. “A aposta contra o real é uma péssima aposta e não há risco de explosão do preço do dólar”, afirma o especialista, ponderando que o Brasil não é uma ilha e que sofre a pressão geral sobre o câmbio. 

      Apesar da situação mais favorável, com cerca de US$ 380 bilhões de reservas e inflação muito baixa, ele acredita que a alta do dólar deve ter impacto sobre preços do diesel, da gasolina, dos insumos importados. No entanto, o professor acredita que o movimento do câmbio poderá reduzir  o espaço para cortes maiores na taxa de juros no ano que vem. A seguir, trechos da entrevista.

      O sr. acredita que o dólar mudou de patamar? Quais motivos levaram a isso? 

      Acho que houve uma mudança de patamar. O próprio mercado reconheceu isso nas projeções reveladas pela pesquisa Focus. Isso decorre de uma situação internacional na qual você continua com um cenário de grande incerteza. Há percepção de que os focos de tensão não serão aliviados imediatamente. Prevalece a visão de que os conflitos entre China e EUA vão perdurar e vai continuar uma demanda grande por ativos mais seguros e o dólar é um deles. Aliado a isso, tem uma situação de queda dos juros. Portanto o diferencial de juros é menor, o que atrai menos capital de curtíssimo prazo. Também  há uma contração do comércio internacional, com o desempenho que ainda é folgado nas contas externas. Existe um ingresso líquido de recursos ainda grande, mas a demanda por dólar está mais forte.

      Esse patamar do dólar acima de R$ 4,20 veio para ficar?

      É difícil saber o intervalo do dólar. Mas claramente acima de R$ 4 é um patamar que corresponde a essa situação de demanda por ativo seguro no plano internacional, uma outra realidade nas contas externas. Por outro lado, o ciclo da economia brasileira está mudando, a recuperação ganhou corpo. A demanda por importações ganha um pouco de força. A contração no comércio internacional faz a exportação cair. Eu diria que certamente é um patamar acima de R$ 4 com a diferença, comparativamente à Argentina, pois temos uma situação confortável do ponto de vista de reservas internacionais. Há cerca de US$ 380 bilhões de reservas. É um cacife que o banco central argentino não tem, nem o do Chile. Dos países emergentes, o Brasil está uma situação relativamente confortável. 

      O que pode fazer o câmbio recuar?

      Se houver uma continuidade das reformas e uma aceleração e as expectativas domésticas continuarem melhorando. Eventualmente, poderíamos ter uma mudança desse patamar do câmbio para baixo. 

      Existe um componente de desconfiança em relação às reformas e isso afetou o câmbio? 

      Não, porque não foi isso que mudou. O que mudou foi o quadro internacional. Tanto que a desvalorização de moedas emergentes foi um fenômeno geral. Agora, se o Brasil aumentar a velocidade das reformas, tudo mais constante, daí existe um efeito positivo. Mesmo assim, a força do movimento internacional é muito grande.

      Quais são os desdobramentos do câmbio acima de R$ 4,25 na vida das pessoas e das empresas?

      Primeiro há uma mudança de preços relativos, os produtos nacionais ficam mais competitivos. Certos segmentos que no passado tiveram dificuldade com real valorizado, hoje têm uma situação de competitividade melhor. O segundo ponto é a pressão de preços de importados, que é inevitável. Mas estamos numa situação em que a taxa de inflação é historicamente muito baixa. Nunca tivemos expectativas de inflação sistematicamente abaixo da meta, olhando dois anos à frente. E não há grandes pressões inflacionárias, salvo o choque da carne. Então, há espaço para acomodar o choque de preços dos importados.

      Existe risco inflacionário?

      O risco inflacionário é pequeno mesmo com o impacto da  desvalorização do real. O dólar nesse nível não ameaça o regime de metas e tampouco a política de taxa de juros. Havia analistas fazendo projeções de continuidade de redução da Selic (taxa básica de juros) em 2020. Isso eu tenho a impressão que não deve ocorrer. Deve ter mais uma queda da Selic em dezembro e depois dessa queda, tenho impressão que vai haver  uma acomodação. 

      A alta do dólar pode interromper o ciclo de queda dos juros?

      De qualquer maneira, o ciclo de queda dos juros está chegando ao seu final. Acho que chega nesse nível e depois há uma certa espera para ver como a economia reage. De qualquer maneira já havia uma previsão de fase final do ciclo de queda dos juros. Com esse aumento do câmbio, isso tende a ser reforçado, pois  se trata de uma pressão inflacionária. Mais cedo ou mais tarde virão pressões sobre o preço do diesel, da gasolina, dos insumos importados. Como estamos com taxa de inflação baixa e com uma economia ainda não muito aquecida, com grande ociosidade em vários segmentos, isso não vai representar uma pressão inflacionária muito preocupante. Porém reduz o espaço para cortes maiores na taxa de juros. 

      O sr. acredita que esse nível de câmbio pode acelerar o processo de substituição de importação ou a indústria nacional está muito sucateada para caminhar nessa direção? 

      Sempre que a taxa de câmbio sobe, é natural que haja uma substituição de importações. Não é um processo generalizado porque o câmbio é volátil. Sempre abre espaço para o fornecedor local. Com o dólar mais alto, o custo do importado fica maior e compra-se mais internamente.

      Qual o reflexo para as empresas que têm custo em dólar? Vão ter as margens mais apertadas pela dificuldade de repasse?

      É preciso analisar caso a caso e fazer um estudo mais global. As empresas têm impactos sobre custos. É preciso avaliar a capacidade de repassar para os preços e também é preciso levar em conta o efeito patrimonial. Isto é,  qual é o endividamento da empresa em dólar. Brasil não é uma ilha. Ele sofre a pressão geral sobre o dólar. Mas em função das contas externas e da situação da inflação é um país relativamente blindado a essa forte pressão sobre o dólar. Embora a gente esteja num patamar mais alto, a aposta contra o real é uma péssima aposta. Não há risco de explosão do preço do dólar. 

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      Dólar bate em R$ 4,27 mesmo depois de intervenção do BC

      Moeda americana chegou a desacelerar na sequência da operação, mas logo voltou a subir; movimento é de reação à fala de Paulo Guedes, que disse não se preocupar com o novo patamar do dólar

      Fabrício de Castro e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

      26 de novembro de 2019 | 09h32
      Atualizado 27 de novembro de 2019 | 07h38

      BRASÍLIA -  O dólar registrou na terça-feira, 27, forte oscilação, influenciado por declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mesmo após duas intervenções do Banco Central, a moeda americana atingiu a marca de R$ 4,27 durante as negociações do pregão e fechou cotada a R$ 4,24, uma alta de 0,61% – novo recorde histórico nominal, sem contar a inflação ao longo dos anos. No ano, a variação é de 9,52%, mas só neste mês o avanço chega a 5,76%.

       

      Em entrevista na segunda-feira, 25, em Washington, Guedes disse que o País deve se acostumar a conviver com um ambiente de juros baixos e dólar mais alto. Foi a senha para o mercado “testar” um novo patamar para a moeda logo nos primeiros minutos de negociação. 

      A manutenção desse patamar acima de R$ 4 deve gerar novas incertezas para consumidores como a assistente de ensino Beatriz Pacheco. Com viagem marcada para os EUA em janeiro, ela deixou para comprar dólares às vésperas do embarque. “Eu não comprei porque fiquei na esperança de que fosse bater R$ 4.” As empresas também reclamam de uma possível alta no preço dos insumos importados e da falta de previsibilidade para os negócios. “Sempre falo que o melhor dólar é o dólar estável, indiferente do valor”, disse o presidente da Bosch na América Latina, Besaliel Botelho.

      Economistas falam em outro efeito: a desaceleração do ciclo de redução dos juros básicos em 2020. José Francisco Lima Gonçalves, do Banco Fator, é um dos que não vê cortes da Selic além de 4,5% – a taxa é hoje de 5% e o Copom ainda tem reunião em dezembro.

      Como acontece nas demais economias emergentes, o dólar no Brasil tem subido puxado por fatores internacionais, como a disputa comercial entre EUA e China. Mas no caso brasileiro, segundo economistas, também tem pesado questões como a demora do governo Bolsonaro para avançar na aprovação de novas reformas.

      O presidente do BC, Roberto Campos Neto, se referiu ao comportamento do mercado como “disfuncional” e acenou com novas intervenções para corrigir “movimentos de curto prazo”. “Essas intervenções não têm capacidade de alterar movimentos de longo prazo, que têm como origem bases macroeconômicas.” 

      Em entrevista coletiva na embaixada brasileira em Washington, Guedes disse que o Brasil tem uma moeda forte e que flutuações no câmbio não são motivo de preocupação. "Quando você tem um fiscal mais forte e um juro mais baixo, o câmbio de equilíbrio também ele é mais alto."

      O sinal do ministro reforça a percepção do mercado de que o Banco Central pode fazer o último corte de juros em dezembro. Na semana passada, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que se o patamar da moeda americana pressionar os preços, o BC poderá atuar via política monetária (ou seja, na taxa de juros), e não via câmbio.

      "Os comentários do Guedes mostram que não tem uma preocupação com a taxa de câmbio no atual patamar", disse à Reuters Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets. "O mercado acaba achando que isso é uma indicação de que o BC não vai atuar."Na manhã desta terça, o presidente Jair Bolsonaro disse que "há prós e contras" com fato de o dólar ter alcançado novo valor nominal recorde. "Se você for analisar na ponta da linha, tem vantagens, prós e contra no dólar a R$ 4,21 como está agora (sic)", afirmou o presidente, na saída do Palácio da Alvorada. "Espero que caia (a cotação da moeda), torço, assim como torço para que caia a taxa Selic, torço para que aumente a nossa credibilidade junto ao mundo", acrescentou. / Colaboraram Silvana Rocha,  Luciana Xavier e Niviane Magalhães 

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      'É bom se acostumar com o câmbio mais alto por um bom tempo', diz Guedes

      Em Washington, ministro da Economia afirmou que a valorização da moeda americana, que atingiu a marca recorde de R$ 4,21, é reflexo de uma nova política econômica

      Beatriz Bulla e Ricardo Leopoldo, correspondentes, O Estado de S.Paulo

      26 de novembro de 2019 | 07h41

      WASHINGTON - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta segunda-feira, 25, não estar preocupado com o dólar acima de R$ 4,20 e que o patamar da moeda deve se manter assim. “É bom se acostumar com o câmbio mais alto e juro mais baixo por um bom tempo”, afirmou, em visita a Washington, onde participou do Fórum de CEOs Brasil-EUA, com a participação de altos executivos de empresas que atuam nos dois países.

      Ele afirmou que o dólar em um patamar mais alto é reflexo de uma nova política econômica, que tem juro de equilíbrio mais baixo e câmbio neutro mais elevado - o que, segundo Guedes, ainda precisa ser absorvido pela sociedade.

      O dólar fechou nesta segunda em nova máxima histórica, a R$ 4,2145. A moeda subiu 0,52% no dia e já acumula valorização de 5,12% em novembro. “O dólar está alto? Problema nenhum, zero”, disse o ministro. “Eu não estou preocupado com a alta do dólar. Ao contrário. Achei um desenvolvimento interessante e absolutamente compreensível quando você pega os juros. Os juros reais do Brasil estão abaixo de 2%. Inflação descendo, os juros descendo junto.”

      De acordo com Guedes, o câmbio vai se valorizar se ingressarem mais investimentos no Brasil. Questionado se o patamar acima de R$ 4,20 é confortável para o País, ele afirmou que isso é a “economia” quem irá responder. “A beleza de você ter uma economia de mercado é essa. O Brasil tem uma moeda interessante, caminhando para a conversibilidade, uma moeda forte, e a cotação dela às vezes varia”, disse.

      Guedes defendeu que há sinais de recuperação econômica no País e desemprego caindo. “Os sinais da economia estão todos melhorando”, disse.

      Entrada na OCDE 

      Segundo o ministro, os juros baixos e o câmbio em patamar mais elevado reduzem o interesse de investidores de curto prazo no País. “O financista que ganhava dinheiro no diferencial de juros não faz falta para nós”, disse. “O Brasil é uma economia continental e é a quarta a absorver investimentos diretos, que são muito importantes.”

      Ele destacou ainda que autoridades de primeiro escalão do governo americano, como o Secretário do Comércio, Wilbur Ross, e Larry Kudlow, diretor do Conselho Econômico Nacional, reconhecem as reformas estruturais que o País adotou. “Eles disseram na reunião de hoje: ‘O Brasil está voltando’”, disse.

      De acordo com Guedes, Ross reafirmou o compromisso do governo americano de ajudar o Brasil a ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O ministro destacou, que quando o presidente Jair Bolsonaro foi eleito, os Estados Unidos já tinham assumido o compromisso de apoiar a Argentina para ingressar na OCDE.

      “Os EUA nos deram uma senha para entrar na OCDE. Somos o primeiro da fila e pode ser que ocorra no ano que vem”, comentou Guedes.

      Questionado se a guerra comercial entre China e Estados Unidos poderia interferir na economia do Brasil, ele afirmou que o País estava distante do relacionamento entre as duas potências havia 30 anos. “O Brasil estava fora da festa. Agora queremos beijar os EUA e a China e participar dela com ambos”, comentou Guedes. “Não devemos nos envolver com a guerra comercial entre estes países, e queremos elevar o fluxo do comércio com estes países.”

      Para o ministro, mesmo que o contencioso comercial entre os EUA e a China colabore para desacelerar a economia mundial, tal fato não será um problema sério para o Brasil. “Nós vamos crescer mais. Temos dinâmica interna. O Brasil é um país fechado e o comércio é uma parte pequena do PIB.” 

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      Maia sobre Guedes: 'Ele gera uma insegurança na sociedade e nos investidores'

      Ministro da Economia afirmou para 'não se assustarem' se alguém defender um novo AI-5 em caso de radicalização de manifestações de rua no País

      Renato Onofre, O Estado de S.Paulo

      26 de novembro de 2019 | 14h23

      Correções: 27/11/2019 | 11h48

      BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que afirmou para “não se assustarem” se alguém defender AI-5 em caso de radicalização de futuras manifestações no País.  Guedes ainda sugeriu que o projeto de lei do excludente de ilicitude seria uma resposta do presidente Jair Bolsonaro ao discurso de Lula.

      “Ele (Guedes) gera uma insegurança na sociedade e, principalmente, nos investidores. Usar dessa forma, mesmo que sendo para explicar o radicalismo do outro lado, não faz sentido. Por que alguém vai propor o AI5 se o ex-presidente Lula, que acho que está errado também porque está muito radical estimula manifestação de rua? O que uma coisa tem a ver com a outra? Nós vamos estimular o fechamento do parlamento? Dos direitos constitucionais dos cidadãos como o habeas corpus como fez o AI5? É isso que estamos querendo estimular? Por uma manifestação de rua,  a gente fecha as instituições democráticas?”

      Mais cedo, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, também criticou a fala do ministro. “O AI-5 é incompatível com a democracia. Não se constrói o futuro com experiências fracassadas do passado", afirmou Toffoli durante o Encontro Nacional do Poder Judiciário em Maceió, capital de Alagoas.

      Após ser solto, o ex-presidente Lula convocou apoiadores a protestar e declarou que "um pouco de radicalismo faz bem à alma".  No fim de outubro, antes de o petista ser solto, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, defendeu medidas como “um novo AI-5” para conter manifestações de rua, caso “a esquerda radicalizasse”.

      Para Entender

      O que foi o AI-5?

      Ato Institucional nº5 foi o mais duro da ditadura militar ao revogar direitos fundamentais

      “A gente tem que tomar cuidado porque a gente está usando um argumento que não faz sentido no ponto de vista do discurso. E como não faz sentido, acaba gerando insegurança em todos nós de qual o intuito por trás da utilização recorrente dessa palavra”, afirmou Maia durante evento sobre democracia e política na Câmara dos Deputados.

      O Ato Institucional nº 5 foi a mais dura medida instituída pela ditadura militar, em 1968, ao revogar direitos fundamentais e delegar ao presidente da República o direito de cassar mandatos de parlamentares, intervir nos municípios e Estados. Uma da medida foi esvaziar garantias constitucionais como o direito a habeas corpus e suspensão de direitos civis, como citado por Maia. A fala de Eduardo foi repreendida por lideranças políticas e por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

      O presidente da Câmara afirmou ainda que os dois lados – governo e o ex-presidente Lula – estão estimulando uma “guerra campal”.

      “Me dá impressão, às vezes, que os dois campos, tanto o ex-presidente Lula quanto parte do governo, ficam estimulando que as manifestações venham para as ruas e não que seja um movimento natural, que sejam estimulado pelo outro. E isso não me parece o melhor caminho”, afirmou.

      Correções
      27/11/2019 | 11h48

      Em uma versão anterior do texto, na frase "Ele (Guedes) gera uma insegurança na sociedade e, principalmente, nos investidores" lia-se segurança em vez de insegurança.

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      Alta do dólar pode chegar aos preços de importados; exportadores comemoram

      No médio prazo, altas da moeda americana, que chegou a bater em R$ 4,27, podem forçar importadores a aumentar preços

      Douglas Gavras e Márcia De Chiara , O Estado de S. Paulo

      26 de novembro de 2019 | 18h21

      As altas do dólar — que fechou nesta terça-feira, 26, em uma nova máxima histórica, cotado a R$ 4,24, — preocupam importadores, que já estão refazendo contas e avaliando até quando vão conseguir evitar o repasse do aumento de custos ao consumidor. Do lado dos exportadores, no entanto, o clima é otimista e de promessa de redução da ociosidade nas fábricas.

      A indústria farmacêutica, cujos insumos importados correspondem a 95% da matéria-prima usada pelo setor, o clima é de apreensão. As empresas trabalhavam com uma projeção de dólar na casa dos R$ 3,70 para o fim do ano e agora veem o custo de produção aumentar vertiginosamente.

      “Como o setor está submetido ao controle de preços, a indústria farmacêutica não tem como repassar esses custos ao consumidor, e a alta do dólar afetará o resultado das empresas”, diz Nelson Mussolini, presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma).

      Mesmo com as pressões do câmbio, a Adega Alentejana, que traz vinhos da Europa, do Chile e da Argentina para restaurantes e supermercados, tem feito de tudo para não mexer na tabela de preços. Caso a moeda americana continue subindo, a empresa vai ser obrigada a elevar os preços no ano que vem, conta André Chicau, sócio da importadora.

      “No começo do segundo semestre, a gente decidiu reforçar o estoque, já vendo que o dólar poderia subir. Foi isso que nos ajudou a não aumentar os preços. As vendas do ano estão boas, e projetamos um aumento de 15% nas vendas em relação ao ano passado. As políticas econômicas do governo parecem estar no rumo certo, é a comunicação que muitas vezes não ajuda”, diz.

      Dona da importadora de azeites e vinhos Sicilianess, Ana Salustiano diz que, apesar de as vendas este ano estarem melhores do que em 2018, o consumidor ainda está muito resistente a aumentos de preços e que a maioria das empresas prefere absorver as altas do câmbio a perder clientes. 

      “Os produtos começam a ficar fora do poder aquisitivo do consumidor. Quando ele sai para jantar, já tem uma ideia de quanto pode gastar. Se os importadores repassarem todos os custos, deixam de vender. O ano começou com otimismo, mas há muita especulação no ar. É preciso criar uma confiança maior para quem é de fora investir no Brasil.” 

      Algumas empresas, no entanto, não devem conseguir segurar os preços, mesmo com o risco de perder clientes. José Kovacs, sócio da C. Kovacs Indústria e Comércio, que fabrica 4 milhões de escovas de dente por mês, conta que a resina plástica, usada na fabricação do produto, responde por um terço do custo de produção. A matéria-prima é cotada em reais, mas, por derivar do petróleo, sente a alta do dólar.

      Por enquanto, a fabricante tem 120 dias de estoque da matéria-prima e não vai ter de enfrentar pressões de custos, mas se a escalada do dólar persistir e a moeda e estabilizar acima de R$ 4, Kovacs diz que terá de reajustar os preços das escovas entre 5% e 8%. “Mesmo que não tenha espaço para aumentar, vamos subir. Não trabalho com prejuízo.”

      Dependente de componentes importados, o setor de eletroeletrônicos avalia que, no médio prazo, caso o real continue se desvalorizando frente à moeda americana, as fabricantes brasileiras também terão de reajustar preços, já que o dólar alto impacta nos custos de produção das empresas. 

      “Se o cenário de alta perdurar por períodos mais longos, é provável que os produtos sofram alterações de preços e fiquem menos acessíveis aos consumidores”, diz José Jorge do Nascimento Júnior, presidente executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Eletroeletrônicos (Eletros)

      Vendas

      Se o patamar mais alto da moeda americana preocupa quem depende de importações, alguns exportadores já fazem planos, caso o dólar se mantenha alto. Um dos exemplos é o setor calçadista, que tem no mercado externo uma fonte importante de negócios. 

      Antes da recessão, há cinco anos, só um terço da produção da calçadista gaúcha Tabita era vendido ao exterior. Com a crise e a perda de fôlego do mercado interno, a situação se inverteu: hoje, a empresa exporta, sobretudo para América Latina, Europa e Oriente Médio, 75% dos calçados que produz – e comemora o dólar mais favorável para exportar. 

      “O dólar mais alto acaba aumentando a competitividade das empresas brasileiras. Como os contratos são negociados com 90 ou 120 dias de antecedência, as próximas vendas já devem considerar uma faixa mais alta”, avalia Daniel Amorim, diretor da empresa. Como eles trabalham com poucos insumos importados, a alta do dólar é ainda mais benéfica para os negócios, conta.

      A meta da fabricante agora é zerar a ociosidade herdada dos anos de crise, ainda em 20%. Caso o dólar continue mais favorável e o mercado interno comece a reagir com mais força, a empresa estuda reativar uma linha de produção que empregaria cerca de 120 pessoas.

      O presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) pondera que alguns segmentos, como o de tênis esportivos, dependem de insumos importados, que devem ficar mais caros agora. “Também é importante frisar que 85% do calçado produzido no Brasil é vendido no mercado interno. O melhor câmbio é o estável, que ajuda a fechar negócios.”

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