''É preciso regulamentar a propaganda de bebidas''

Túlio Kahn é sociólogo e coordenador de Análise e Planejamento da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo desde 2005. Além disso, ele coordena e realiza uma série de ensaios científicos sobre a criminalidade, em especial os homicídios. Em São Paulo, desde 2000, há uma redução de 70% de assassinatos. São apontados como fatores para a redução o maior controle na circulação de armas e atividade policial. Como próximo passo, Kahn defende medidas que diminuam o uso nocivo do álcool.

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2009 | 00h00

Qual é a influência do álcool na criminalidade?

O álcool, assim como a arma, tem o status de elemento criminológico. Ou seja, não é a causa do crime, mas em um contexto já vulnerável, potencializa riscos. Nos crimes contra a vida, homicídios, por exemplo, as pesquisas que relacionam o uso de álcool tanto pelas vítimas quanto pelos agressores já deixaram clara essa associação. Mas até mesmo nos crimes contra o patrimônio, como vandalismo, existem evidências de que o álcool é fator correlacionado.

São Paulo tem uma queda de homicídios, dolosos (quando há intenção de matar) e culposos (sem intenção) desde 2000. Nesse período, tivemos o Estatuto do Desarmamento (com campanhas para recolhimento de armas em todos os Estados) e, mais recentemente, a lei seca do trânsito, com punições mais rígidas para motoristas embriagados. Qual seria a próxima política pública para reduzir as mortes violentas?

Álcool. Avalio que é necessária a regulamentação das propagandas das bebidas alcoólicas no País. Pesquisas já mostraram que 20% das peças publicitárias são de bebidas alcoólicas. A OMS (Organização Mundial de Saúde) elege medidas a serem tomadas com relação ao álcool. Uma delas é o monopólio estatal do álcool, que é bem radical. A outra é a fiscalização da idade legal para comprar bebida, que no Brasil ainda é muito frágil (a fiscalização). Um terceiro ponto é o treinamento dos funcionários, para identificar quando o cliente bebeu além da conta. E um quarto passo é a propaganda. As propagandas sempre são associadas às coisas positivas, patrocina carnaval. Até os pais incentivam os filhos a beber. Há uma histeria com outras drogas, mas não com a bebida. Elegeria a publicidade como próximo passo.

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