Empresário afirma que recebeu carga errada

Dono da carga acusa exportadora, de quem comprava tecido, mas esta nega ter enviado contêiner dos EUA ao País

ANGELA LACERDA, ENVIADA ESPECIAL, SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE (PE), O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h02

O dono da empresa Na Intimidade, de Santa Cruz do Capibaribe, no agreste pernambucano, Altair Teixeira de Moura, negou ontem ter importado dos Estados Unidos as 46 toneladas de lençóis sujos, cateteres, seringas e luvas usadas apreendidas na semana pela Receita Federal no Porto de Suape. Por meio do seu advogado, Gilberto Lima, o empresário diz que importa tecidos com defeito de tecelagem desde 2009 da empresa Texport Inc., com sede na Índia.

Ao Estado, um porta-voz da Textport em Nova York não quis confirmar se a empresa brasileira é cliente, mas negou que faça exportação direta do Porto de Charleston, na Carolina do Sul, para o Brasil. "Vendas para clientes brasileiros podem ter ocorrido apenas por meio de negociação realizada pela sede na Índia", disse. Neste caso, a exportação ocorreria diretamente do território indiano para o brasileiro.

O advogado do empresário informou que ele se apresentou anteontem à Polícia Federal e fez uma representação para que seja apurada a responsabilidade pela carga ilícita. "Esta carga deverá ser devolvida ao exportador norte-americano pelos meios legais e a Polícia Federal será acionada para investigar irregularidades do exportador", afirmou Lima. "O exportador mandou uma mercadoria divergente."

Segundo ele, a Texport fornece venda de resto de fábrica para o mundo inteiro. "As peças são mais baratas, de segunda linha, mas não se trata de lixo." As cargas apreendidas são descritas como "tecido de algodão com defeito".

Moura acompanhou autoridades sanitárias e da PF ontem em inspeções nas três unidades da Império do Forro de Bolso (nome fantasia da empresa Na Intimidade): em Santa Cruz do Capibaribe, onde fica a sede, a 205 quilômetros do Recife, e em Toritama e Caruaru, onde se localizam dois galpões. Todos estão interditados pela vigilância sanitária. A Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) recolheu lençóis manchados - supostamente de sangue e secreções humanas, com logomarca de mais de 10 hospitais norte-americanos - nos galpões e na loja do Império do Forro de Bolso que foram entregues ao Instituto de Criminalística (IC) para análise. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA, DE NOVA YORK.

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