ENTREVISTA-Chuva atrasa início da colheita de café da Cooxupé

A chuva recente atrasou o início da colheita de café arábica na área de atuação da Cooxupé, maior cooperativa do mundo para o grão, em um ano no qual a expectativa é de uma grande safra, disse o presidente da cooperativa.

FABÍOLA GOMES, REUTERS

22 Maio 2012 | 12h46

"Choveu na semana passada e atrapalhou. Começaríamos a colheita nesta segunda-feira, agora fica para a próxima semana", disse à Reuters Carlos Paulino, presidente da Cooxupé, no intervalo de seminário Perspectivas para o Agribusiness em 2012 e 2013, da BM&FBovespa.

A Cooxupé estima que a produção na área de atuação da cooperativa, que inclui o sul e o Cerrado Mineiro, deve ficar em 10 milhões de sacas de 60 kg, estável em relação ao último ano do ciclo de alta do arábica (2010/11).

Segundo ele, a cooperativa mantém a previsão de recebimentos, de cerca de 6 milhões de sacas.

Paulino observou que, além de atrasar o início da colheita do arábica, o clima ainda pode ter impacto na qualidade do grão, uma vez que a chuva derruba os grãos do pé, o que acaba influenciando na qualidade da bebida.

QUEDA DE BRAÇO

Sobre o preço, o presidente da Cooxupé disse que o setor vive uma queda de braço entre produtores e torrefadores.

"Quem tiver mais força, vence (o embate). Se a gente tiver suporte financeiro para estocar, ajuda a negociar melhor", explicou.

O setor já conta com recursos da ordem de 1,4 bilhão de reais para colheita e estocagem proveniente do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), dos quais cerca de 900 milhões de reais devem ser destinados aos produtores.

Mas Paulino observou que já existe uma reserva técnica para liberação de mais 500 milhões de reais, caso o montante inicialmente previsto seja plenamente utilizado.

Segundo ele, este recurso ajuda a sustentar a cotação porque, se o preço ficar abaixo do que o esperado pelo produtor, ele pode recorrer ao financiamento para estocar o produto e negociar nos melhores momentos.

Ele acrescentou que a oferta da safra 2012/13 do maior produtor mundial será boa, mas a situação é de estoques apertados no mundo, enquanto o consumo cresce em torno de 1,5 por cento ao ano.

Neste cenário, a despeito de um recuo dos preços no contrato de referência em Nova York, os preços internos seguem sustentados no mercado físico brasileiro, acima das marcas históricas, segundo ele.

Paulino disse que nas praças de referência, no sul do Estado e Cerrado Mineiro, o preço do arábica estava em torno de 400 reais por saca de 60 kg nesta semana, mas há dois anos nesta mesma época do ano oscilava próximo de 280 reais a saca.

O preço do café teve um salto grande entre o final de 2010 e o início de 2011 por conta dos baixos estoques do grão.

Paulino avalia que o cenário segue positivo, face ao crescente consumo e uma oferta ainda ajustada.

"Preocupa a situação financeira e o impacto que isso pode ter no consumo na Europa. Na bolsa, os investidores fogem de qualquer risco (como as commodities) quando o mercado está volátil", ponderou.

(Por Fabíola Gomes)

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