Entusiasta das cooperativas

Rinzo Aoki veio para o Brasil no começo dos anos 1930 e ajudou a implantar o cooperativismo no país

Tatiane Matheus,

10 de maio de 2008 | 18h20

Uma carreira promissora no Japão ou a realização de um sonho em terras distantes? Rinzo Aoki optou por seu ideal. Formado em economia agrícola pela Faculdade de Kyoto e entusiasta do cooperativismo, ele se mudou para o Brasil, no início da década de 1930, disposto a ajudar a implantar o sistema no País. Veja também:- A vitória no campo Para isso, trocou um cargo de destaque no Ministério da Agricultura japonês por um de nível mais baixo no Ministério das Relações Exteriores. Seu irmão mais velho, professor universitário, foi contra. Mas, na primeira oportunidade, Aoki veio para o Brasil com a mulher, Sumiko. Formada em economia doméstica, ela apoiou o marido, com quem teve sete filhos, na decisão de trabalhar no Consulado Geral do Japão em São Paulo. Paralelamente, Aoki formou uma associação para capacitar e treinar jovens na agricultura, Sanseiren. "Meu avô se dedicou ao cooperativismo", diz Erica Aoki, neta de Rinzo. " A lei brasileira sobre cooperativas foi idealizada por ele, inspirada no sistema alemão." Antes de a 2.ª Guerra Mundial começar, o governo japonês ordenou que ele voltasse. Mas Aoki se recusou - e deixou as atividades consulares. Novamente, a família no Japão tentou mudar sua opinião. Só que a decisão já estava tomada. Erica tem três hipóteses para explicar por que o avô não quis regressar: "A primeira é que ele não poderia deixar os imigrantes sem auxílio e a segunda, a preocupação de fazer a viagem com filhos pequenos", diz. "A última é que ele, militar da reserva, não queria se alistar."  Aoki não se esqueceu de seu sonho. Notando que Bragança Paulista poderia se tornar um pólo agrícola, foi para lá e acabou conhecido como "Rei da Batata". Ele ainda ajudou a fundar a Cooperativa Central, a Cooper Cotia e a Cooperativa de Lins, entre outras. Morreu em 1960, sem nunca ter voltado ao Japão.

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