EUA determinam ''recall'' em aviões da Embraer no país

Agência de aviação quer troca de um software; defeito foi solucionado em 2008, diz Embraer

Cleide Silva, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

A Administração da Aviação Federal (FAA, na sigla em inglês), órgão que regulamenta a aviação nos Estados Unidos, determinou a substituição de um software de controle eletrônico de motor considerado suspeito em mais de 250 jatos regionais da empresa brasileira Embraer. A medida é semelhante a um recall, termo usado quando consumidores são convocados a levar o produto para conserto de defeito de fabricação.

O problema foi detectado no ano passado, após incidentes ocorridos durante voos de seis aviões 170 (com capacidade para 70 passageiros). Os motores das aeronaves, produzidos pela americana General Electric (GE), perderam propulsão ou passaram a não responder aos comandos dos pilotos.

A decisão da FAA foi anunciada na segunda-feira, segundo o Wall Street Journal, mas a Embraer informou ontem que o defeito foi solucionado há um ano. Segundo um porta-voz, a empresa foi notificada em março de 2008. Após investigar o defeito, a companhia e a GE realizaram força-tarefa de atualização dos softwares que culminou, em novembro, com uma nova versão do programa, disponibilizada para toda a frota.

"Há um ano não recebemos mais nenhuma informação de evento relacionado ao motor dos 170", disse o porta-voz da Embraer. Segundo ele, desde novembro, os novos aviões da companhia também saem de fábrica com o novo programa.

O problema nos motores apareceu quando a GE tentava corrigir uma falha anterior no software, que afetava válvulas de controle do fluxo de combustível para os motores.

Os incidentes provocaram inspeções e diversos estudos de segurança pela GE, pela Embraer e por órgãos reguladores em todo o mundo.

A GE informou à FAA que mais de 80% dos aviões da frota de 170 haviam sido consertados. A Embraer calcula que, até setembro, havia 164 modelos 170 operando em vários mercados mundiais.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), recomendação semelhante, chamada de "diretriz de aeronavegabilidade", foi emitida pelo órgão em março deste ano, e a FAA estaria acompanhando a decisão. Ao que parece, apesar de a GE e a Embraer terem colocado a nova versão do software à disposição das companhias que possuem aeronaves 170, nem todas promoveram o conserto.

A FAA relatou ter registrado outros 20 incidentes de perda do controle do motor que afetaram jatos da Embraer. Não deixou claro, porém, se esses incidentes ocorreram antes de novembro do ano passado ou se envolvem aeronaves que estariam na frota dos 20% que não atenderam à convocação.

Este é o segundo problema em jatos da Embraer anunciado pela FAA em quatro meses. Em agosto, a Anac e a FAA determinaram reparos nos aviões da família 170 e 190 (com capacidade para 100 passageiros).

Na ocasião, foram detectados possíveis defeitos no fechamento das portas de carga e também nos escorregadores infláveis de segurança das saídas de emergência.

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