EUA vetam Avastin para câncer de mama

Agência diz que droga não prolonga vida do paciente; uso no Brasil segue autorizado

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, LÍGIA FORMENTI, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2011 | 03h07

Os Estados Unidos proibiram ontem o uso do medicamento Avastin, do laboratório suíço Roche, para tratar câncer de mama. A FDA, agência do governo americano responsável por monitorar alimentos e medicamentos, concluiu que o remédio não prolonga a vida das pacientes nem melhora sua qualidade de vida.

A FDA permitiu a continuidade da venda nos EUA do Avastin para o tratamento de alguns tipos de câncer de cólon, de pulmão, de rim e de cérebro.

Segundo Margareth Hamburger, da FDA, as usuárias do Avastin estão expostas a "riscos potenciais de efeitos adversos" - como pressão alta, sangramento, ataque cardíaco ou perfurações no intestino - sem os benefícios alegados pelo fabricante.

A conclusão partiu do Centro para a Avaliação de Drogas e Pesquisa, órgão da FDA, com base em dois estudos encaminhados pela Genentech, empresa comprada pela Roche em 2009.

"Foi uma decisão difícil. A FDA reconhece quão duro é para os pacientes e para suas famílias enfrentarem a metástase de câncer", afirmou Margareth. "Mas as pacientes precisam ter certeza de que as drogas que elas estão tomando são seguras e efetivas em seus objetivos."

A droga entrou no mercado americano em 2004 para tratamento de câncer retal. Em 2008, depois de ser submetida a um programa de aprovação mais ágil, em que apenas alguns estudos são analisados, ela passou também a ser indicada para câncer de mama com metástase. Esse processo é feito para permitir que pacientes em estágios avançados da doença tenham acesso à droga antes que estudos mais pormenorizados tenham sido concluídos.

Brasil. A decisão da FDA não traz reflexos imediatos para o Brasil, onde o medicamento é aprovado para uso contra o câncer de mama. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que, por enquanto, nenhuma revisão da recomendação será feita. A ideia é apenas reforçar o monitoramento de reações adversas. Ontem à tarde, técnicos da Anvisa analisavam a decisão da FDA.

A agência já havia, em dezembro, solicitado a alteração das bulas. A determinação era a de que passassem a indicar o uso da droga associada ao paclitaxel, um remédio da família de drogas quimioterápicas que impedem o crescimento celular por meio do bloqueio da divisão celular.

O diretor de oncologia clínica do Hospital A. C. Camargo, Marcello Fanelli, afirma que a decisão da FDA já era esperada. A agência americana já havia colocado em dúvida a conveniência do uso do medicamento contra o câncer de mama. "Aqui no Brasil, o impacto de uma proibição semelhante seria pequeno", afirma Fanelli. "Estudos mostram que o Avastin melhora o resultado de outras drogas em algumas mulheres. Mas não há ganhos na sobrevida da paciente."

A Roche divulgou um comunicado em que reitera que o remédio "continua como uma alternativa válida para médicos e pacientes que lutam contra o câncer de mama metastático". Cita testes realizados com cerca de 10 mil mulheres para comprovar a eficácia do remédio. / COLABOROU ALEXANDRE GONÇALVES

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