Fibras de coágulos esticam mais que qualquer outra fibra natural

As fibras que compõem os coágulos são mais elásticas que elásticos de escritório, e se esticam mais do que teias de aranha. Elas são ainda mais resistentes do que os médicos suspeitavam - uma descoberta que poderá levar a um melhor tratamento de ataques cardíacos e derrames. Entender o quanto essas fibras podem ser esticadas antes de se partirem deve apontar para melhores maneiras de acabar com os coágulos, sempre que necessário. Feitas de uma proteína chamada fibrina, as fibras se esticam mais do que qualquer outra que ocorre naturalmente, até mesmo a seda das aranhas, concluíram os pesquisadores que mediram quanta resistência pequenos filamentos - mil vezes menores que um fio de cabelo humano - realmente têm.A descoberta, publicada na edição desta sexta-feira da revista Science, dá um grande passo para explicar as "duas caras" dos coágulos: você precisa deles para selar ferimentos, evitar hemorragias e começar o processo de cura. Mas os coágulos anormais podem matar, bloqueando artérias essenciais para causar derrames, ataques cardíacos ou embolia pulmonar.Além de melhores tratamentos contra coágulos, o trabalho poderia levar a melhores maneiras de evitar coágulos perigosos - e, por outro lado, de ajudar a melhorar a coagulação sanguínea em pessoas com hemofilia e outros distúrbios sanguíneos, disse Richard Becker, cardiologista e hematologista do Centro Médico da Universidade de Duke. Os coágulos são uma rede de fibras de fibrina presas às plaquetas, uma substância pegajosa do corpo. Para curar um ferimento, esses coágulos têm que ser fortes e flexíveis, para resistir ao impacto do fluxo sanguíneo comum, explicou a co-autora do estudo, Susan Lord, professora de patologia na Universidade da Carolina do Norte.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 20h04

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