MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO

‘Foi amor ao primeiro toque’, afirma guia

Caroline se comunica por libras táteis com Rodrigues e, se quer conversar com Sofia, rapidamente conduz a mão dela para a própria garganta

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

10 de outubro de 2015 | 20h40

“Amor ao primeiro toque é o amor à primeira vista na língua dos surdos-cegos”, conta a guia-intérprete Caroline Martins, de 30 anos. Há um ano e meio, ela se transformou nos olhos e ouvidos de Carlos Jorge Rodrigues e Cláudia Sofia. A função dela é antecipar problemas, mapeando os caminhos dos dois. “Antecipação e prevenção sempre. É o guia-intérprete que reconhece o espaço”, explica.

Caroline se comunica por libras táteis com Rodrigues e, se quer conversar com Sofia, rapidamente conduz a mão dela para a própria garganta. “Uma vez a Sofia colocou a mão no meu queixo para a gente conversar e eu descobri, por ela, que estava doente. Ela me disse ‘Carol, você está doente? A sua voz está mole e a garganta, quente’”, conta a guia, gargalhando. 

Formada em linguagem de sinais desde os 16 anos, Caroline se apaixonou pelas libras táteis ao conhecer Rodrigues. “Estudei a surdo-cegueira, me aprofundei e tive ainda mais certeza que o corpo fala.”

Caroline é guia-intérprete da recém-inaugurada Central de Interpretação de Libras (CIL), da Prefeitura. Para auxiliar os surdos-cegos, a secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade, Marianne Pinotti, destaca a importância do Atende, serviço porta a porta criado para transportar pessoas com deficiência, e da CIL. “A Central foi feita para auxiliar na Língua Brasileira de Sinais. O beneficiário pode solicitar guia-intérprete, vir até a Prefeitura tirar dúvida ou pedir apoio de um guia para serviços públicos”, explicou.

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