Francesa luta na Justiça por direito de eutanásia

Mulher sofre de tumor incurável e quer o direito de escolher como morrer.

Daniela Fernandes, BBC

13 de março de 2008 | 13h00

Uma francesa de 52 anos, que sofre de um raro tumor incurável, entrou na Justiça para pedir o direito de morrer.O caso de Chantal Sébire, que pede autorização para que seu médico possa lhe administrar uma substância letal, reacendeu o debate jurídico sobre o direito à eutanásia na França.Sébire está com o rosto deformado por causa do tumor, que atinge a cavidade nasal, e afirma sofrer dores terríveis por causa da doença.Ela quer ter o direito de se suicidar, no momento que desejar, com a assistência de um médico.Após vários casos de grande repercussão na França - entre eles o do jovem Vincent Humbert, que ficou tetraplégico, mudo e cego após um acidente de carro e faleceu, em 2003, com a ajuda de sua mãe e de um médico - voltam a surgir mobilizações em favor de uma lei autorizando a eutanásia de forma ampla, que inclua, por exemplo, a ajuda de um médico para injetar doses fatais de medicamentos.Essa legislação já existe na Holanda, Bélgica e Suíça e, mais recentemente, em Luxemburgo.Após o caso de Vicent Humbert, no qual a justiça inocentou sua mãe e o médico que aplicou a injeção letal, a França adotou, em 2005, uma lei que permite apenas desligar aparelhos médicos e retirar perfusões, fazendo com que o doente entre em coma profundo e morra de fome e de sede, o que pode levar vários dias.Muitos que militam por uma lei a favor da eutanásia na França consideram que essa nova legislação é "desumana" e prolonga o sofrimento dos doentes e das famílias."No caso de um jovem, por exemplo, ele poderia demorar uma semana para morrer de fome. E nenhum parente de alguém que está sob assistência respiratória gostaria de ver a pessoa sofrer ainda mais ao morrer asfixiada", disse à BBC Brasil um membro da Associação francesa para o Direito de Morrer com Dignidade (ADMD), que prefere não se identificar.A lei francesa ainda pune os que fornecem ou administram medicamentos utilizados no suicídio de outra pessoa.A associação ADMD, que reúne 43 mil membros, milita há 28 anos para que a França adote uma legislação permitindo a eutanásia "ativa", que daria a cada doente a liberdade de escolher de que forma pôr fim à sua vida.Chantal Sébire, que entrou com uma ação na quarta-feira no Tribunal de Dijon, também se recusa, segundo seu advogado, a ser induzida a um coma artificial e morrer de fome e de sede."Ela acha essa maneira de morrer uma agonia indigna não só para ela, mas também para seus filhos", afirma seu advogado, Gilles Antonowicz.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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