Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Funcionária admite que injetou vaselina

Auxiliar de enfermagem diz que foi induzida ao erro; confusão matou uma menina de 12 anos

Camilla Haddad JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2010 | 00h00

A auxiliar de enfermagem Kátia Araghaki, de 26 anos, admitiu ontem à polícia que foi ela quem aplicou vaselina líquida, em vez de soro fisiológico, na veia de Stephanie dos Santos Teixeira, de 12 anos, que morreu no sábado no Hospital São Luís Gonzaga.

Em sua defesa, afirmou que foi induzida ao erro, não somente porque os frascos eram iguais, mas também porque não é comum haver vaselina líquida naquele setor do hospital. Ela foi indiciada por homicídio culposo (sem intenção de matar).

Além disso, afirmou que na noite de sexta-feira, anterior ao dia em que atendeu Stephanie, teria visto uma criança com queimaduras sendo socorrida naquele local, que pode ter sido tratada com vaselina.

Kátia chegou ao 73.º Distrito Policial, no Jaçanã, zona norte, por volta das 14h30. Passou pelos jornalistas que a aguardavam na frente do DP de mãos dadas com seus dois advogados. Durante o depoimento, ela desmaiou e interrompeu sua fala duas vezes, após crises nervosas.

Um de seus advogados, Roberto Gama, relatou que, segundo Kátia, os frascos de soro e vaselina estavam guardados juntos, no mesmo armário. "Ela aplicou a substância numa total inconsciência. O recipiente não dispunha de elemento esclarecedor e até a diagramação da etiqueta era imperceptível."

Para Gama, era "impossível" perceber alguma diferença, até porque Kátia disse que não havia vaselina ali. "Por isso qualquer pessoa enfiaria a mão e pegaria, sabendo que ali só tinha soro."

Erro. Para o delegado assistente do 73.º DP, Antonio Corsi, o maior erro de Kátia foi não ter lido o frasco. "Ela disse que leu em um pote "hidratação" e no outro passou a vista."

A auxiliar de enfermagem, que trabalha no hospital há 14 meses, vai responder em liberdade. Se condenada, poderá pegar de um a três anos de prisão.

Além dela, outros três funcionários foram ouvidos ontem: dois médicos e um enfermeiro. Até amanhã, serão outros 12.

A Santa Casa vai trocar os rótulos de soro por etiquetas coloridas para facilitar a identificação no dia 13.

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