Gerdau vê volta da demanda e preço estável do aço no 2o semestre

Sinais de recuperação gradual na demanda por aço no Brasil e no restante do mundo têm incentivado a Gerdau a encarar o segundo semestre deste ano com uma visão "otimista moderada", depois de amargar no segundo trimestre o primeiro prejuízo trimestral desde o início da década de 90.

ALBERTO ALERIGI JR., REUTERS

06 Agosto 2009 | 17h32

Em teleconferências com jornalistas e analistas, o presidente-executivo da maior produtora de aços longos das Américas, André Gerdau Johannpeter, ilustrou esse otimismo contido citando que as vendas de aço do grupo em volume, no mundo, cresceram 16 por cento em julho sobre junho.

Normalmente, a empresa evita fornecer números de performance durante o trimestre, mas o executivo preferiu divulgar o desempenho em julho para mostrar uma tendência de recuperação do mercado de aço.

A Gerdau anunciou prejuízo líquido de 329 milhões de reais no segundo trimestre, na contramão de uma média de expectativas de cinco analistas obtida pela Reuters, que apontava ganho de 707 milhões de reais no período. Um ano antes, diante de um mercado em franca expansão no Brasil e no exterior, a empresa teve lucro líquido de 2,124 bilhões de reais.

A perda no trimestre foi pressionada por baixas contábeis de cerca de 1 bilhão de reais, dos quais 90 por cento não afetaram o caixa da companhia, explicou o vice-presidente financeiro da empresa, Osvaldo Schirmer, na teleconferência.

Entre os eventos que provocaram a redução estão ágio sobre aquisições e cortes nos valores de estoques de produtos e de contratos de fornecimento, em decorrência da crise no setor iniciada com a turbulência nos mercados financeiros internacionais.

Não fossem essas baixas, a Gerdau teria lucro líquido de 467 milhões de reais no segundo trimestre.

"Acho que não saímos da crise ainda. Existem sinais de que vamos sair, mas falta algum tempo. Há melhora do ritmo econômico, mas sair da crise ainda é muito cedo para falar", afirmou Johannpeter, em teleconferência com jornalistas.

Segundo o executivo, a unidade Açominas ainda trabalhou no segundo trimestre com estoques de carvão comprados a preços elevados pré-crise, mas renegociações de contratos com fornecedores devem ajudar a empresa a minimizar parte desse custo no próximo trimestre.

Influenciou ainda a performance da Gerdau no período a queda nos preços do aço vendido do Brasil ao exterior, de cerca de 8 por cento a 10 por cento, disse Johannpeter, acrescentando que a empresa tem expectativa de manutenção dos preços do aço durante o segundo semestre.

Incentivada pelo desempenho das vendas de julho, a Gerdau decidiu manter dois alto-fornos da unidade Açominas operando, em vez de parar um deles para manutenção em julho. Os fornos, um com 1,5 milhão de toneladas de capacidade e outro com 3 milhões, que seria suspenso, trabalham a 75 por cento da capacidade, nível considerado mínimo para a correta operação, afirmaram os executivos.

Além disso, a unidade norte-americana Ameristeel deve postergar planos de parada para manutenção de duas usinas nos Estados Unidos, uma em Sayreville, em Nova Jersey, e outra em Sandsprings, em Oklahoma, disse Johannpeter.

INVESTIMENTO MANTIDO

A corretora Brascan, que manteve recomendação para as ações da Gerdau de "em linha com o mercado", considerou o resultado da empresa como "levemente negativo" e previu que a Gerdau, para cumprir compromissos reacordados com credores, terá de elevar seu Ebitda no segundo semestre em pelo menos 12 por cento em relação aos seis primeiros meses do ano. Isso, segundo a corretora, "será facilmente obtido com melhor cenário para a indústria siderúrgica, especialmente no Brasil (...) e uma base de comparação deprimida".

O Ebitda da companhia no segundo trimestre somou 595 milhões de reais, ante 2,75 bilhões de reais um ano antes. No semestre, essa geração de caixa foi de 1,19 bilhão de reais, contra 4,73 bilhões em igual período de 2008.

A Gerdau manteve a expectativa de investir cerca de 550 milhões de dólares em 2009, dos quais 391 milhões de dólares foram aplicados no primeiro semestre. Os planos para 2010 ainda seguem sob revisão, afirmou o presidente da Gerdau, evitando fazer projeções.

As ações da 13a produtora de aço do mundo operavam em baixa de 2,87 por cento às 16h52, enquanto o Ibovespa apresentava recuo de 1,2 por cento, em movimento de realização de lucros.

Johannpeter afirmou que a Gerdau está com níveis de estoque e pessoal adequados para o restante do ano. "Não prevemos novos ajustes (de funcionários) neste ano", disse, sem comentar detalhes sobre reduções realizadas.

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