GOL vê pouca chance para aumento de tarifas em 2009

A segunda maior companhia aérea do país, Gol, aposta que "dificilmente" será possível elevar preços de tarifas no país este ano, diante de um cenário que obrigou a empresa a rever sua projeção de crescimento do mercado brasileiro de 6 para faixa de 2 a 4 por cento.

REUTERS

23 de março de 2009 | 15h26

A companhia, que mantém plano de encerrar 2009 com 108 aeronaves, também admite chance de rever a frota a partir de 2010, informou o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, em teleconferência com investidores e analistas.

"(As tarifas) são consequência de oferta e demanda e não temos expectativas de ver tarifas aumentando em 2009", disse o executivo. "Dificilmente teremos yields ou tarifas mais altas este ano", acrescentou.

No quarto trimestre, o preço médio da tarifa da Gol aumentou 23,8 por cento sobre o mesmo período de 2007.

Os comentários foram feitos depois que a companhia anunciou na madrugada do sábado prejuízo líquido de 687 milhões de reais e um plano de aumento de capital de 203,5 milhões de reais.

Às 15h18, as ações da companhia lideravam as perdas do Ibovespa, recuando 6,41 por cento, cotadas a 7,30 reais. No mesmo horário, o principal índice da bolsa paulista subia 4,67 por cento. Já os papéis da principal rival da empresa, a TAM caíam 3,45 por cento.

Apesar do resultado negativo, o vice-presidente financeiro da empresa, Leonardo Pereira, afirmou que a Gol está "no trilho da lucratividade". Porém, ele evitou informar quando a companhia voltará ao azul, citando a volatilidade dos mercados.

Pesquisa do Banco Central com economistas (Focus) estima que a economia do Brasil vai ficar estagnada em 2009, com crescimento de mero 0,01 por cento. Diante do cenário mais fraco, a empresa admite rever sua projeção de frota, que prevê 115 aeronaves em 2010, passando a 121 jatos em 2011 e 125 unidades em 2012. Todos os aviões previstos são da norte-americana Boeing.

"Revisão a partir de 2010 é uma das possibilidades", disse Oliveira Júnior, sem dar mais detalhes.

A companhia está programando hedge de combustível para pouco mais de 20 por cento de seu consumo em 2009 e acima de 10 por cento em 2010, informou a diretora financeira, Anna Bettencourt. A executiva não descartou ainda eventuais compras de dívida da empresa durante o ano. "Dependerá das oportunidades", informou ela.

A Gol estima começar a operar vôos domésticos a partir do aeroporto Santos-Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de abril. Os mercados que a empresa avalia operar a partir dessa base são Brasília, Campinas, Belo Horizonte, Curitiba e Vitória. "Não necessariamente vamos atender todos esses mercados", disse o presidente da empresa, acrescentando que o objetivo é ter no mínimo três vôos por dia para cada destino.

A empresa, que opera atualmente 12 vôos diários para Brasília a partir do aeroporto Galeão (também no Rio de Janeiro), pretende remanejar "boa parte disso" para o Santos Dumont.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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