Greve dos metroviários no RS volta a atrapalhar usuários

Milhares de usuários dos trens que fazem o percurso de São Leopoldo a Porto Alegre tiveram de recorrer a outros meios de transporte para chegar ao trabalho e às universidades ao amanhecer desta segunda-feira porque encontraram o serviço paralisado por uma greve. Como os ônibus metropolitanos ficaram superlotados, muitos passageiros tiveram de esperar por tempo superior ao previsto nas paradas até conseguir embarcar em um dos coletivos.

ELDER OGLIARI, Agência Estado

21 Maio 2012 | 19h29

Quem optou pelo carro também enfrentou transtornos e atrasos porque a BR-116, principal ligação rodoviária entre as cidades, ficou congestionada. Por volta das 9 horas, o engarrafamento tinha 16 quilômetros. O fluxo foi se normalizando à medida em que a demanda pelo transporte público decaia e estava normalizado por volta do meio-dia.

No final da tarde, os usuários voltaram a encontrar ônibus lotados, mas os transtornos foram menores que os da manhã porque muitos anteciparam, cancelaram ou retardaram suas viagens para não enfrentar as filas e a espera para embarcar nos coletivos. As empresas que atendem à região metropolitana foram autorizadas a triplicar o número de viagens e operaram em esquema especial para atender a demanda.

O sistema metroviário da região metropolitana de Porto Alegre atende cerca de 180 mil usuários por dia. São moradores da capital gaúcha e de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul e São Leopoldo. A rede é operada pela estatal federal Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. (Trensurb). Uma cerimônia de inauguração de duas novas estações, de um trecho em ampliação, para Novo Hamburgo, estava prevista para esta segunda-feira, mas foi suspensa quando os trabalhadores anunciaram a greve, na quinta-feira. A presidente Dilma Rousseff participaria da solenidade.

A greve de 24 horas deveria terminar à meia-noite. O Sindicato dos Metroviários (Sindimetrô/RS) reivindica reajuste salarial de 21,5% e reclama da falta de contrapropostas da empresa, que, por sua vez, alega que abriu negociações e tem prazo até 30 de maio para apresentar um índice. A Justiça estabeleceu multa de R$ 70 mil a cada período de pico - das 5h30 às 8h30 e das 17h30 às 20h30 - sem atendimento à população, mas o sindicato alega não ter sido notificado da decisão.

O Ministério Público Federal anunciou que pedirá à Polícia Federal abertura de inquérito para apurar a conduta dos diretores do sindicato, que teriam usado subterfúgios como ausências dos endereços de citação para não receber a notificação dos oficiais de Justiça. O procurador da República Celso Tres considera contraditório o argumento de que não houve aviso formal quando a decisão judicial era de conhecimento público desde sexta-feira. Na terça-feira os trens devem circular normalmente.

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